O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou nesta quarta-feira (4) que qualquer pessoa que assuma a liderança suprema do Irã será “um alvo” — ou seja, destinada ao assassinato. A afirmação foi publicada em comunicado oficial do seu gabinete.
A ameaça ocorre dias após a morte de Ali Khamenei em bombardeio conjunto de Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, enquanto o Irã tenta reorganizar sua estrutura de poder.
Na terça-feira (3), forças israelenses anunciaram o ataque ao prédio da Assembleia dos Peritos — o órgão responsável, pela constituição iraniana, por eleger o próximo líder supremo. Segundo a imprensa israelense e a agência estatal do Irã, todos os 88 aiatolás que integram a assembleia estavam presentes no momento do ataque, mas não há confirmação sobre vítimas.
O movimento faz parte de uma campanha mais ampla contra a estrutura de poder iraniana: no dia anterior, EUA e Israel já haviam bombardeado a sede do conselho que elegeria o novo líder do Irã, eliminando progressivamente a capacidade do país de conduzir uma transição ordenada.
Com a morte de Khamenei, o aiatolá Alireza Arafi foi eleito líder supremo interino enquanto a assembleia — se ainda estiver em condições — decide quem assume o posto permanentemente. O Irã não se pronunciou publicamente sobre o ataque ao edifício.
O presidente americano Donald Trump usou as redes sociais para comentar a morte de Khamenei, afirmando que o líder iraniano “não conseguiu escapar” dos sistemas de inteligência e rastreamento dos EUA em parceria com Israel. “Não havia nada” que ele pudesse fazer, disse Trump.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi classificou o assassinato de Khamenei como um “crime religioso” e prometeu sérias consequências aos responsáveis. Araghchi também acusou Washington de trair a diplomacia ao atacar o Irã no meio das negociações sobre armamentos nucleares.
A combinação entre o ataque à Assembleia dos Peritos e a declaração do ministro Katz aponta para uma estratégia israelense que vai além da eliminação de lideranças: o objetivo parece ser desestabilizar o próprio processo de sucessão, criando um vácuo de poder em Teerã.
O cenário coloca o Irã diante de um dilema sem precedentes — conduzir uma transição legítima sob pressão militar constante, com a ameaça explícita de que qualquer nome indicado ao cargo será imediatamente considerado um alvo por Israel.