Com ironia calculada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou a abertura da Conferência Nacional do Trabalho, nesta terça-feira (3), em São Paulo, num ensaio eleitoral. Diante de sindicalistas e ministros no Anhembi, Lula creditou à “sorte” os resultados econômicos de seu governo — e encerrou com um apelo direto ao público: “Quando chegar a eleição, votem em quem tem sorte”.
Os números que Lula chama de sorte
A lista de indicadores foi apresentada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tomou o microfone durante o evento para detalhar os dados ao público: menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil, menor desemprego histórico, maior crescimento da massa salarial e maior produção agrícola já registrada.
Lula estava acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Simone Tebet (Planejamento). O evento reuniu representantes de trabalhadores e empresários para debater as condições do mercado de trabalho brasileiro.
O 6×1 no centro do debate
Além da retórica eleitoral, Lula usou o evento para defender um acordo tripartite sobre o fim da escala 6×1 — envolvendo governo, empresários e trabalhadores. O presidente também propôs que as jornadas sejam diferenciadas por categoria profissional, sinalizando abertura para negociações setoriais antes de qualquer avanço legislativo.
A principal bandeira econômica de Lula para as eleições deste ano é o projeto que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. A proposta enfrenta resistência do setor produtivo, que aponta aumento nos custos operacionais — despesa que, segundo empresários, tende a ser repassada ao consumidor final.
No mesmo evento, o ministro Marinho sinalizou que o governo pode acionar o mecanismo de urgência constitucional para forçar o Congresso a votar o fim da escala 6×1 caso o tema não avance na velocidade desejada pelo Executivo. A sinalização eleva a pressão sobre parlamentares e indica que o Palácio do Planalto não pretende deixar a pauta morrer na fila das votações.