O Exército dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (3) que afundou 17 embarcações iranianas desde o início da guerra, no sábado (28), e que nenhum navio do Irã opera no Golfo Arábico, no Estreito de Ormuz ou no Golfo de Omã.
Mais de 2 mil alvos foram atingidos em território iraniano, segundo um comandante do Comando Central americano em vídeo publicado no X.
O Irã revidou com mais de 500 mísseis balísticos e cerca de 2 mil drones em ataques de retaliação.
Trump aciona escolta naval e seguro para petroleiros
Horas antes do balanço militar, o presidente Donald Trump declarou, em publicação na Truth Social, que os EUA estão prontos para acionar a Marinha na escolta de embarcações petroleiras pelo Estreito de Ormuz caso o tráfego seja ameaçado.
Trump também determinou, “com efeito imediato”, que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos EUA (DFC) ofereça seguro contra risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo pelo Golfo — especialmente o transporte de energia. As medidas valem para todas as companhias de navegação, com custo descrito como “muito razoável”.
Irã fecha o estreito, EUA negam bloqueio oficial
Na segunda-feira (2), o governo iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e alertou que navios tentando cruzar a rota poderiam ser atacados. Na véspera, a Guarda Revolucionária já havia ameaçado incendiar embarcações que tentassem atravessar o estreito, escalando o confronto a um patamar crítico.
Apesar das declarações iranianas, autoridades militares americanas afirmaram que a rota não está oficialmente bloqueada. O impasse mantém a tensão elevada em uma das áreas mais sensíveis para o abastecimento global de energia.
A escalada teve efeito imediato nos mercados internacionais. Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira, refletindo o temor de que o conflito se prolongue, que o estreito seja efetivamente fechado e que ataques atinjam instalações do setor de energia.
Estreito de Ormuz: por que a rota é decisiva para o mundo
O Estreito de Ormuz conecta os grandes produtores do Golfo — Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Estima-se que cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passe por essa faixa estreita de mar.
Qualquer interrupção pode reduzir a oferta global e pressionar os preços da commodity, com reflexos diretos sobre combustíveis, transporte e inflação em múltiplos países. Desde o início dos ataques, analistas alertavam que o barril poderia atingir US$ 100 caso o bloqueio se concretizasse.
A onda de retaliações iranianas — mais de 500 mísseis e 2 mil drones — foi delineada desde o assassinato de Khamenei, quando a Força Quds prometeu que os responsáveis não estariam seguros nem mesmo em casa. Investidores e governos acompanham de perto cada declaração, temendo que o conflito afete definitivamente o mercado global de energia.