Saúde

Anvisa aprova cinco novas marcas de semaglutida no Brasil

Preço máximo ainda depende da CMED, mas nova concorrência pode acelerar entrada do remédio no SUS em setembro.
Canetas de semaglutida Ozempic com logo da Anvisa e SUS, representando o preço da semaglutida no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (29) mais cinco marcas de semaglutida, substância usada no tratamento da obesidade, ampliando a oferta de medicamentos GLP-1 no país.

Antes de chegar às farmácias, falta a definição do preço máximo pela CMED. O Ministério da Saúde pediu celeridade, e a expectativa é que o valor saia ainda nas primeiras semanas de agosto.

Como fica o preço até chegar às prateleiras

A aprovação da Anvisa não garante presença imediata nas farmácias. Falta a etapa que define o teto de venda: a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa fixar o preço máximo de cada marca, seguindo a mesma lógica aplicada ao Ozivy, primeira versão nacional da semaglutida.

Segundo apurou o g1, o processo costuma levar até dois meses, mas o Ministério da Saúde pediu urgência e a definição pode sair nas primeiras semanas de agosto. As farmacêuticas consultadas, como a Ávita Care (marca Owozy), ainda não revelam valores e apenas garantem preços “competitivos”.

O caminho até aqui começou quando a Anvisa incluiu o Ozivy na Lista de Medicamentos de Referência, decisão que abriu espaço regulatório para outros laboratórios registrarem versões concorrentes da semaglutida. Semanas depois, a EMS reduziu o preço do Ozivy a R$ 333 por caneta, patamar que os novos entrantes agora precisam disputar.

O que muda para o SUS

A ampliação da oferta pode destravar a discussão sobre incluir a semaglutida no SUS, tema rejeitado em 2025 pela Conitec por causa do custo estimado em R$ 4,1 bilhões em cinco anos. Agora, a Novo Nordisk propõe um desconto de 59% sobre o valor anterior, e a nova avaliação está marcada para setembro, com parecer final em até 180 dias, prorrogáveis por mais 90.

Em paralelo, o Ministério da Saúde testa um projeto-piloto no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, acompanhando cerca de 250 pacientes com obesidade grave até o ano que vem, para subsidiar um futuro protocolo de uso na rede pública.

Para a pesquisadora Maria Laura Precinotto, da USP, o avanço no acesso a medicamentos não pode ser tratado como solução isolada: “não dá para achar que falar de obesidade no SUS é apenas inserir os GLP-1 e que isso resolve o problema no país”, afirma.

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