O Itamaraty negou os pedidos de visto dos funcionários americanos Riley Barnes e Samuel Samson, ligados ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob a alegação de que a viagem ao Brasil poderia alimentar suspeitas sobre o sistema eleitoral brasileiro.
A visita, marcada para 27 a 30 de julho em Brasília, trataria de integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão com autoridades e representantes da sociedade civil, segundo o governo americano.
A decisão ocorre dias depois de uma fala do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro, que repetiu acusações sobre as urnas eletrônicas já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em evento com diplomatas estrangeiros presentes.
O caso começou na sexta-feira (24), quando o Itamaraty negou os vistos de Barnes e Samson antes mesmo de o Washington Post revelar publicamente o plano dos dois funcionários. Dias antes, o jornal americano já havia revelado que o Departamento de Estado preparava a missão para questionar as urnas eletrônicas brasileiras.
Quem é Samuel Samson
Samson é subsecretário adjunto de Estado no Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) e um dos nomes que ajudam a promover a agenda America First do presidente Donald Trump fora dos Estados Unidos. Formado pela Universidade do Texas em Austin, especializou-se em teoria do direito natural aplicada a políticas públicas.
Segundo o The New York Times, ele já viajou pela Europa buscando aproximar Washington de figuras da direita radical, incluindo um encontro reservado em março com Nigel Farage, líder do Reform UK, e uma tentativa em maio de defender Marine Le Pen perante uma comissão de direitos humanos em Paris.
Quem é Riley Barnes
Barnes ocupa o cargo de secretário-adjunto de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL). Nascido em Uvalde, no Texas, é formado em Ciência Política pela Universidade Washington and Lee e tem mestrado em Relações Internacionais pela Universidade Texas A&M. Desde abril, também atua como embaixador extraordinário para a liberdade religiosa internacional.
O Departamento de Estado americano rejeitou a acusação do Itamaraty. Um porta-voz disse à agência Reuters que a missão seria uma visita de rotina e classificou as alegações de interferência eleitoral como uma mentira sem fundamento.