Um levantamento do Observatório do Ovo, da ONG Alianima, revela que 64% dos supermercados brasileiros não ampliaram a venda de ovos livres de gaiolas em 2026, mesmo com compromissos públicos assumidos para abandonar o confinamento das galinhas.
Mais de 160 empresas de varejo e hotelaria prometeram migrar para o sistema cage free, com prazos que vão até 2030, mas 24% delas não informam publicamente o avanço das metas.
O estudo, realizado anualmente pela Alianima desde a criação do compromisso setorial em 2015, mostra que a maioria das redes não avançou na transição para a venda exclusiva de ovos de galinhas criadas soltas dentro dos galpões, sem gaiolas.
Carrefour reduz participação de ovos livres
Entre os casos citados no relatório está o Carrefour, que assumiu compromisso público de transição, mas reduziu a participação de ovos cage free nas lojas de 21,4% para 20,2% no último ano. A rede também é a única, entre as que fizeram a promessa, a não oferecer pelo menos uma marca de ovos livres em todas as unidades.
O Pague Menos é outro exemplo apontado pelo levantamento, por não ter apresentado evolução na oferta do produto. Procuradas pela reportagem, as duas empresas não responderam até a publicação.
Segundo as redes consultadas pela Alianima, os principais obstáculos para ampliar a venda de ovos livres de gaiolas são o custo mais alto do produto, dificuldades de abastecimento e o baixo conhecimento dos consumidores sobre o tema. Ainda assim, 33% das empresas afirmaram não enfrentar dificuldades na transição.
Como funciona a criação sem gaiolas
No modelo tradicional de confinamento, até 11 galinhas dividem a mesma gaiola assim que começam a botar ovos, sem espaço para ciscar. Já no sistema cage free, as aves ficam soltas durante toda a produção, dentro dos galpões.
O Instituto Certified Humane Brasil, responsável por certificar empresas que seguem padrões de bem-estar animal, estabelece que os aviários podem ter no máximo de 7 a 11 aves por metro quadrado. As normas também determinam espaço mínimo de 5 cm nos comedouros e 15 cm nos poleiros, além de água e comida disponíveis o tempo todo.
Desde 2015, empresas dos setores de alimentação e hotelaria vêm assumindo publicamente o compromisso de trocar os ovos de gaiola por opções livres, com prazos definidos pelas próprias companhias, que variam entre 2021 e 2030. O relatório da Alianima mostra que parte relevante desse grupo ainda não cumpriu o que prometeu nem presta contas sobre o progresso.