Em meio à crise eleitoral que abala a Colômbia, o presidente Gustavo Petro ligou nesta quinta-feira (9) para Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que deixará o cargo em 6 de agosto, comprometendo-se com uma transição pacífica do poder.
O telefonema ocorre dois dias após o presidente eleito Abelardo de la Espriella cancelar o processo de transição e acusar Petro de articular um golpe para permanecer no governo.
A crise tem origem no resultado das eleições colombianas de 21 de junho, quando o candidato governista Ivan Cepeda foi derrotado por Abelardo de la Espriella, da direita, por margem estreita de votos.
Petro não aceitou a derrota e alegou fraude eleitoral. Observadores internacionais, porém, descartaram qualquer manipulação das urnas e reafirmaram a legitimidade da vitória da oposição.
A tensão escalou até Espriella romper formalmente com o processo de transição, acusando o presidente em exercício de planejar uma manobra para prolongar o mandato além do prazo constitucional.
A virada eleitoral de junho já havia reconfigurado o equilíbrio político da região: a vitória de Espriella alinhou a Colômbia ao bloco de Trump e aprofundou o isolamento do Brasil de Lula na América do Sul.
Antes do telefonema desta quinta, Lula já havia parabenizado o povo colombiano pela eleição após a confirmação da vitória de Espriella. Nas redes sociais, o petista destacou o “processo democrático e soberano” da Colômbia e afirmou que a relação bilateral é “fundamental para a superação de desafios comuns”.
O gesto diplomático com Petro se insere em uma sequência de movimentos do governo brasileiro com vizinhos ideologicamente distantes. Semanas antes, Lula havia parabenizado Keiko Fujimori pela vitória no Peru e proposto agenda bilateral, sinalizando pragmatismo diante das transformações políticas em curso na América do Sul.
A conversa foi relatada em nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, sem detalhes adicionais sobre o conteúdo do telefonema além do compromisso público de Petro com a saída em agosto.
