Política

Câmara aprova urgência contra misoginia com 293 votos; bancada evangélica protesta

Projeto mais severo que o do Senado prevê pena dobrada para perfis com grande alcance e autoriza suspensão de contas misóginas
Plenário da Câmara durante votação do projeto de lei contra misoginia digital

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) regime de urgência para o projeto que criminaliza a misoginia no Brasil. Foram 293 votos a favor e 158 contrários à aceleração da tramitação.

Com a urgência aprovada, o texto pode ser pautado diretamente no plenário da Casa, mas ainda não há data definida. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que coordenou o grupo de trabalho sobre o tema, será a relatora.

Punições mais severas que o texto do Senado

O texto sugerido pelo grupo de trabalho é mais rígido do que o aprovado em março pelo Senado. Entre as novidades, estão agravantes para crimes cometidos por duas ou mais pessoas em conjunto, ou praticados contra crianças, adolescentes, idosos ou pessoas com deficiência.

O projeto também autoriza o juiz a determinar a suspensão temporária de perfis na internet utilizados para veicular conteúdo misógino. Em casos de contas com grande alcance, a pena poderá ser aplicada em dobro.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ressalvou que a proposta do grupo de trabalho não é definitiva. “O relatório do projeto ainda precisa ser construído”, disse.

O avanço legislativo ocorre num contexto em que a misoginia já deixou rastro visível na Justiça brasileira: mesmo sem ser tipificada como crime autônomo, ela aparece em mais de 2 mil decisões judiciais no país, dado que reforça o argumento dos defensores do projeto. A proposta altera a Lei Antirracismo para incluir a misoginia em seu escopo — equiparando condutas misóginas ao mesmo rigor jurídico dos crimes raciais.

Bancada evangélica questiona liberdade religiosa

A votação foi marcada por protestos da bancada evangélica. O deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) leu trechos bíblicos sobre a submissão das mulheres aos maridos e questionou os limites do projeto. “Trechos como esse, em que a bíblia manda a mulher se sujeitar ao marido, podem ser interpretados como texto misógino? O texto da Câmara não dá garantias de que não haverá quebra da liberdade religiosa”, argumentou.

O coordenador da bancada, Gilberto Nascimento (Podemos-SP), classificou o projeto como “complexo”, mas parabenizou Tabata pela abertura ao diálogo com o segmento evangélico.

A relatora respondeu com aceno conciliador: “Dialoguei inclusive com quem pensa diferente de mim. A gente avançou. Sigo à disposição para dialogar com todas as bancadas. Meu apelo é para o compromisso com a pauta das mulheres.”

Também integrante do grupo de trabalho desde maio, a deputada Julia Zanata (PL-SC) se posicionou contra o avanço neste momento. “Estamos em uma semana esvaziada, não é a semana adequada para tocar para frente um tema desse”, afirmou, sugerindo que o projeto serviria para “perseguição religiosa e calar opositores”.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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