Economia

ANTT aplica quase R$ 1 bilhão em multas por piso mínimo do frete

Senado aprova MP que endurece penalidades contra empresas que pagam frete abaixo do valor mínimo
Caminhoneiros em protesto após Senado aprovar MP sobre piso mínimo do frete rodoviário no Brasil

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já aplicou R$ 932,4 milhões em multas a transportadoras neste ano por descumprimento do piso mínimo do frete rodoviário, com 270,4 mil autos de infração emitidos até junho.

O valor foi divulgado no mesmo dia em que o Senado aprovou, nesta terça-feira (14), uma medida provisória que endurece as penalidades para quem paga frete abaixo do mínimo legal. O texto segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Salto nas autuações desde a criação da política

Em 2018, ano em que a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas foi instituída após a greve nacional dos caminhoneiros, a ANTT aplicou apenas R$ 69 mil em multas, distribuídos em 31 autos de infração durante todo o período. Oito anos depois, o volume de autuações já soma 270,4 mil registros somente até junho.

Segundo a agência, o crescimento expressivo dos números está ligado à ampliação da fiscalização eletrônica, que passou a identificar com mais eficiência transportadoras que pagam abaixo da tabela mínima. A ANTT ressalta que os valores correspondem ao montante das autuações lavradas, e não ao total efetivamente arrecadado — os autos ainda passam por processo administrativo, com direito a contraditório e ampla defesa, podendo ser cancelados, alterados ou confirmados.

O que muda com a nova MP

A medida provisória aprovada pelo Senado cria um novo escalonamento de penalidades para quem contratar frete abaixo do piso legal. Uma das principais novidades é que as regras passam a valer também para intermediadores e plataformas digitais que ofereçam serviços de frete em desacordo com o piso mínimo, setor que até então ficava fora do alcance direto da fiscalização.

A mesma sessão do Senado que endureceu as regras também retirou do texto o piso salarial fixo de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância, item considerado inconstitucional, além de deixar em aberto a polêmica anistia a multas de bloqueios rodoviários de 2022.

A política de preços mínimos do frete nasceu em 2018 como resposta a uma das principais reivindicações dos caminhoneiros durante a greve que paralisou o país naquele ano. Desde então, a tabela é reajustada sempre que o preço do combustível varia mais de 5% para cima ou para baixo — mecanismo apelidado à época de gatilho.

A aprovação da MP no Senado não foi tranquila: a proposta chegou a perder o prazo de votação sem ser analisada pelos senadores e correu risco de caducar por falta de acordo, pressionada por uma nova ameaça de paralisação de caminhoneiros. Agora, a medida segue para sanção do presidente Lula, que ainda pode vetar trechos do texto aprovado.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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