A Polícia Federal aponta que o senador Jaques Wagner (PT-BA) recebeu ingressos de camarote avaliados em R$ 63.339 para um show em Los Angeles, em novembro de 2023, pagos por Augusto Ferreira Lima, gestor ligado ao Banco Master.
O episódio consta na decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar nesta quinta-feira (18). Wagner é líder do governo no Senado.
Segundo a investigação, Augusto Lima orientou sua secretária, em junho de 2023, a adquirir os bilhetes, comprados pela empresa REAG Investimentos S.A. em tratativas que também envolveram João Carlos Mansur. O custo total dos cinco ingressos somou R$ 63.339.
Mensagens mostram pedido direto do senador
As mensagens analisadas pela PF revelam que, em 23 de novembro de 2023, Wagner perguntou a Augusto Lima sobre os “ingressos de sábado” — referência ao show marcado para 25 de novembro, na Califórnia. Em resposta, recebeu os arquivos dos bilhetes diretamente por mensagem.
O senador pediu então que o número de entradas fosse ampliado para cinco pessoas. Augusto atendeu enviando dois ingressos adicionais. “Pronto amigo. Seguem os outros dois”, diz a mensagem reproduzida nos autos da decisão do STF.
A PF ressalta que os ingressos teriam sido destinados a familiares do parlamentar, sem precisar se Wagner estava entre os beneficiados diretos. O nome da cantora cujo show motivou a compra não foi revelado na decisão.
Além dos bilhetes para o camarote em Los Angeles, a PF aponta que Wagner teria recebido um apartamento em Salvador e R$ 3,5 milhões repassados via empresa ligada à sua família como contrapartida por atuação parlamentar em favor do grupo Master. A investigação também menciona o uso de aeronaves privadas como suposta vantagem ao parlamentar.
9ª fase da Operação Compliance Zero
O caso integra a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira com foco, pela primeira vez, diretamente em um agente público. A ação mobilizou 18 mandados de busca e apreensão cumpridos simultaneamente no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa envolvendo gestores e operadores ligados ao Banco Master. O foco desta fase, segundo a PF, é a relação entre Wagner e Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, presidente do Master.
O avanço da apuração se deu após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima, que revelaram a dinâmica do suposto esquema. Os R$ 3,5 milhões teriam chegado à família de Wagner por meio da BN Financeira, microempresa cujo enteado do senador cobrava pagamentos diretamente de Augusto Lima.
A assessoria do senador não respondeu aos pedidos de comentário até o fechamento desta reportagem.
