O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, saiu em defesa pública após a Polícia Federal apreender R$ 250 mil em dólares em um imóvel ligado a ele no Distrito Federal, em nova fase da Operação Compliance Zero.
Wagner afirmou que os US$ 49 mil identificados pelos investigadores correspondem a diárias pagas pelo Senado Federal, e classificou a compra de um apartamento de R$ 2,4 milhões no Poème Horto como transação inteiramente legal.
O presidente Lula prestou solidariedade ao senador após a deflagração da operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Os US$ 49 mil apreendidos pela PF na manhã desta quinta-feira em um imóvel ligado a Wagner no Distrito Federal estão no centro da defesa do senador. Segundo ele, o valor corresponde a diárias pagas pelo Senado Federal ao longo do mandato — argumento que ainda precisará ser verificado no âmbito da investigação.
A operação também mira uma movimentação imobiliária: a compra de um apartamento de R$ 2,4 milhões no empreendimento Poème Horto. Para a PF, o imóvel seria uma contrapartida pela suposta atuação parlamentar de Wagner em favor do Banco Master. O senador rejeita a tese e afirma que o negócio foi feito dentro da lei.
Nova fase da Operação Compliance Zero
A ação desta quinta integra uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas vantagens concedidas parlamentarmente ao Banco Master. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A apreensão dos dólares foi o estopim para que Wagner fosse a público apresentar sua versão dos fatos.
A solidariedade de Lula a Wagner não veio isolada. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, havia invocado horas antes a presunção de inocência em defesa do colega petista, sinalizando que o campo governista pretende enfrentar a crise com coesão.
A posição de Wagner é politicamente sensível: como líder do governo no Senado, ele é peça-chave na articulação da agenda do Executivo. Sua fragilização em razão das investigações tem potencial de impactar a base aliada de Lula em um período de votações estratégicas no Congresso.
O Caso Master e suas ramificações
O episódio envolvendo Wagner é mais um desdobramento do Caso Master, que investiga a relação entre o Banco Master e parlamentares que teriam agido em benefício da instituição financeira. A investigação, conduzida sob supervisão do STF, já gerou tensão entre os Poderes e coloca em xeque alianças construídas no centro do poder brasileiro.
