Saúde

Ex-presidente da Anvisa defende vacina do Butantan: ‘seria aprovada no mundo todo’

Sanitarista que integrou o conselho da Fundação Butantan prevê 15 a 30 dias de investigação e diz que reações eram esperadas na escala da campanha
Frascos de vacina dengue Butantan com símbolo de Anvisa representando reações adversas e investigação regulatória

O ex-presidente da Anvisa Gonzalo Vecina saiu em defesa da vacina do Instituto Butantan contra a dengue nesta semana, afirmando que o imunizante “seria aprovado em qualquer lugar do mundo” — mesmo após a suspensão temporária decretada pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (8).

A pausa foi determinada depois de 42 casos de reações graves identificados entre as 500 mil pessoas vacinadas desde o início da campanha, incluindo dois óbitos ainda sob investigação.

Vecina integrou o conselho da Fundação Butantan quando a vacina entrou em pesquisa clínica e avalia que os eventos adversos, embora inaceitáveis, eram esperados numa amostra muito maior do que a dos estudos clínicos.

O sanitarista participou dos ensaios clínicos de fase 3 da vacina, que envolveram quase 16 mil participantes — cerca de 11 mil vacinados e 5 mil com placebo, acompanhados por cinco anos. A eficácia geral foi de 65% contra a dengue e de 80,5% para casos graves.

“Acredito que essa vacina seria aprovada em qualquer lugar do mundo, com uma dose única — o que é uma grande vantagem frente à vacina da Takeda”, disse Vecina em entrevista à BBC News Brasil, referindo-se à Qdenga, do laboratório japonês Takeda. O imunizante segue sendo oferecido gratuitamente pelo SUS para jovens entre 10 e 14 anos; cerca de 8 milhões de doses já foram aplicadas no Brasil desde 2024.

Para Vecina, o salto entre os estudos clínicos e a campanha em escala nacional explica por que reações raras emergem agora. “No mundo real, são 500 mil pessoas. É óbvio que com o aumento tão exponencial da amostra eu posso ver coisas que não veria em uma amostra menor”, afirmou. Na mesma linha, a infectologista Rosana Richtmann, do Comitê de Imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia, também defendeu a pausa como prova de que o sistema brasileiro de farmacovigilância está funcionando — não como sinal de falha da vacina.

Ainda assim, Vecina foi enfático: “É inaceitável que uma vacina tenha mortes nos tempos atuais.” Ele prevê que a apuração dure entre 15 e 30 dias. “É a busca de uma agulha no palheiro. O palheiro não é muito grande — são só 42 pessoas —, mas a investigação é complexa”, disse.

As 42 reações correspondem a 0,008% do total de vacinados. Os sintomas relatados incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos — manifestações não previstas na bula e não identificadas nos estudos clínicos. Três casos foram classificados como graves e dois resultaram em morte. O Ministério da Saúde confirmou que nenhum dos óbitos ocorreu nas cidades onde a campanha foi ampliada para a população geral.

O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, reforçou que a retomada da vacinação dependerá de “dados muito rigorosos” e metodologia científica criteriosa. “O Butantan não está fazendo torcidas, está respeitando a evidência dos dados”, disse. A Anvisa convocará um painel de especialistas para conduzir a investigação epidemiológica, e ainda não há prazo divulgado para a decisão sobre retomada.

As doses armazenadas permanecem em rede de frio e o monitoramento está sendo intensificado por lote e território, enquanto o ministério define os próximos passos para eventual retomada da campanha. O governo descartou falhas no armazenamento, transporte ou aplicação, mas essas hipóteses também serão verificadas formalmente.

O cenário epidemiológico é favorável: até 30 de maio, o Brasil registrou queda de 97% nas mortes por dengue e de 94% nos casos prováveis em relação a 2024. O Ministério da Saúde reafirma que “as vacinas continuam sendo armas fundamentais” no combate à maior endemia do país.

A suspensão foi anunciada na segunda-feira (8) após 42 casos de reações graves — incluindo dois óbitos ainda sob investigação — entre os 500 mil vacinados desde o início da campanha. A vacina foi disponibilizada em dezembro de 2025, após aprovação da Anvisa, resultado de 20 anos de pesquisa com tecnologia licenciada ao Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Governo registra marca PIX como ‘alto renome’ no INPI após pressão dos EUA

OMS e OPAS apoiam suspensão da vacina Butantan contra dengue no Brasil

Petrobras compra 50% do bloco Itaimbezinho no pré-sal da Bacia de Campos

Inmet detecta aquecimento do Pacífico e alerta para El Niño em 2026