A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) classificaram como responsável e prudente a suspensão temporária da vacina Butantan-DV contra a dengue no Brasil.
Em nota divulgada nesta terça-feira (10), as entidades afirmaram que a decisão faz parte dos procedimentos normais de segurança aplicados quando novas vacinas começam a ser usadas em larga escala.
Os organismos lamentaram as mortes notificadas após a vacinação e ressaltaram que os episódios parecem ser muito raros, mas exigem investigação para determinar se há relação causal com o imunizante.
A OMS informou que acompanha de perto a situação no Brasil e mantém contato direto com o Ministério da Saúde e a Anvisa. Para as entidades, qualquer relato de evento adverso grave é tratado com extrema seriedade — e a pausa foi vista como resposta adequada, não como sinal de crise.
A suspensão foi anunciada pelo Ministério da Saúde após a identificação de 42 casos de reações graves — incluindo duas mortes em investigação — entre as 500 mil pessoas vacinadas desde o início da campanha.
Farmacovigilância brasileira recebe reconhecimento internacional
Na avaliação das entidades, o sistema brasileiro de farmacovigilância funcionou adequadamente ao identificar os eventos e desencadear a apuração necessária. OMS e OPAS destacaram que trabalham em conjunto com fabricantes, autoridades sanitárias e especialistas para monitorar continuamente a segurança dos imunizantes.
A posição das entidades internacionais ecoa a de especialistas brasileiros que já haviam elogiado a farmacovigilância do país, argumentando que a pausa era evidência de um sistema funcionando corretamente, não de falha da vacina.
A Butantan-DV foi desenvolvida pelo Instituto Butantan e, até o momento, tem autorização de uso exclusivamente no Brasil. A OMS informou que o imunizante ainda não foi avaliado pelo Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE), responsável por formular recomendações globais sobre vacinas.
Enquanto as investigações avançam, vozes favoráveis ao imunizante também ganharam espaço no debate. O ex-presidente da Anvisa Gonzalo Vecina defendeu a Butantan-DV, afirmando que o imunizante ‘seria aprovado em qualquer lugar do mundo’ e que reações raras são esperadas quando a amostra salta de 16 mil para 500 mil pessoas vacinadas.
OMS reforça abordagem integrada contra a dengue
A Organização Mundial da Saúde reiterou que a vacinação não deve ser tratada como medida isolada. Para a entidade, o controle eficaz da dengue exige uma combinação de ações: eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, proteção individual, diagnóstico precoce e atendimento oportuno aos pacientes.
OMS e OPAS sinalizaram que seguem acompanhando o caso e aguardam os resultados das investigações para avaliar os próximos passos. As entidades não indicaram prazo para a conclusão das apurações nem para uma eventual retomada da campanha de vacinação no Brasil.
