Economia

Bitcoin despenca abaixo de US$ 60 mil e apaga ganhos pós-Trump

Queda de 6% nesta sexta-feira marca o menor patamar da criptomoeda desde outubro de 2024
Trump e o contexto político: bitcoin abaixo de 60 mil

O bitcoin voltou a operar abaixo dos US$ 60 mil nesta sexta-feira (5), recuando ao menor nível em mais de um ano. A criptomoeda acumulou queda de cerca de 6% na sessão, chegando a US$ 59.770,90 por volta das 13h15 (horário de Brasília).

O recuo apaga parte relevante dos ganhos registrados desde novembro de 2024, quando a eleição de Donald Trump acendeu o otimismo do mercado cripto — período em que o bitcoin chegou ao recorde histórico de US$ 126.251,31.

De recorde a queda livre

A trajetória do bitcoin desde as eleições americanas foi de euforia. Um mês após a vitória de Trump, a maior criptomoeda do mundo superou pela primeira vez a barreira dos US$ 100 mil (R$ 526 mil) — uma marca histórica que o próprio presidente celebrou publicamente.

A escalada continuou até o pico de US$ 126.251,31 (R$ 665 mil), o maior valor já registrado para a criptomoeda. A queda desta sexta-feira desfaz boa parte desse percurso, devolvendo o bitcoin ao patamar de outubro de 2024.

A virada de humor começou no início de 2026. O bitcoin passou a sentir o peso de um ambiente mais cauteloso nos mercados globais, especialmente no setor de tecnologia e no mercado de metais preciosos, onde o pessimismo se alastrou nos últimos meses.

Regulação travada no Senado americano pesa sobre o setor

Além do ambiente macroeconômico adverso, o bitcoin enfrenta uma fonte adicional de pressão: a incerteza regulatória nos Estados Unidos. A chamada Lei CLARITY, projeto que estabeleceria regras para moedas digitais no país, está parada no Senado americano — e a indefinição sobre seu futuro contribui para afastar investidores mais conservadores.

Sem um arcabouço legal consolidado, operadores e fundos institucionais tendem a reduzir exposição ao ativo, o que intensifica os movimentos de baixa já desencadeados pelo cenário externo.

O bitcoin, fiel à sua reputação de forte oscilação, havia recuperado terreno e chegado ao recorde de US$ 126.251,31 antes da virada. A queda desta sexta-feira retoma o ciclo de instabilidade da criptomoeda — e coloca em xeque a narrativa de consolidação acima dos seis dígitos que o setor comemorou no final de 2024.