A China suspendeu todas as restrições sanitárias relacionadas à febre aftosa no Brasil e reconheceu oficialmente o país como livre da doença em todo o território nacional, informou a agência alfandegária chinesa nesta terça-feira (2).
A medida abre caminho para ampliar as exportações de carne bovina e suína, incluindo miúdos e cortes com osso — produtos até então bloqueados por restrições que incidiam sobre o norte do país.
O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo. No primeiro trimestre de 2026, a China comprou quase US$ 3 bilhões em carne brasileira — e agora poderá absorver uma gama mais ampla de produtos nacionais.
Reconhecimento segue visita de André de Paula a Pequim
Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores afirmaram que o reconhecimento deverá ampliar as oportunidades comerciais para produtos bovinos e suínos, incluindo miúdos e carne com osso — categorias antes sujeitas a restrições regionais.
A decisão ocorre duas semanas após a visita do ministro André de Paula à capital chinesa. O reconhecimento sanitário é o segundo desdobramento positivo da missão: dez dias antes, a China havia liberado três frigoríficos brasileiros — JBS, Frisa e Bon-Marte — suspensos há mais de 14 meses.
Durante a visita, De Paula também pediu à China que reatribuísse ao Brasil as cotas de exportação não utilizadas por outros países. O pedido foi rejeitado pela parte chinesa, segundo a Reuters.
Surto interno e reforço de controles sanitários
Em março, a China confirmou febre aftosa em 219 bovinos de dois rebanhos nas províncias de Gansu e Xinjiang, totalizando mais de 6,2 mil animais afetados. O país reforçou controles nas fronteiras, acelerou a aprovação de vacinas e adotou medidas de abate e desinfecção nas regiões afetadas.
O reconhecimento do Brasil como livre da doença sinaliza que Pequim busca garantir o abastecimento externo em um momento de vulnerabilidade sanitária interna.
Abertura sanitária coincide com pressão sobre as cotas
A abertura coincide com um cenário tarifário delicado: o Brasil já havia consumido metade da cota isenta de impostos definida pela China para 2026, com risco de sobretaxa de 55% ao ser ultrapassado o limite de 1,1 milhão de toneladas.
Ao mesmo tempo, o ambiente comercial permanece volátil. Há menos de duas semanas, a China suspendeu JBS, PrimaFoods e Frialto por irregularidades sanitárias — sinal de que o avanço em uma frente não elimina os riscos nas demais.
A combinação entre o reconhecimento territorial e as suspensões pontuais de plantas frigoríficas reforça que o acesso ao maior mercado importador de carne bovina do mundo depende tanto de negociação diplomática quanto de gestão sanitária rigorosa por parte dos exportadores brasileiros.
