O dólar abriu em queda de 0,37% nesta segunda-feira (18), cotado a R$ 5,0539, mas dois vetores mantêm o câmbio sob vigilância: a alta do petróleo diante do impasse entre Estados Unidos e Irã e o avanço das investigações da Polícia Federal sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A PF apura o destino de recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que teriam sido canalizados para o Texas sob a justificativa de financiar o filme Dark Horse — projeto sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Trump pressiona Irã e petróleo volta a subir
No exterior, a declaração do presidente norte-americano Donald Trump foi o principal catalisador da alta do petróleo nesta sessão. Em publicação feita após conversa com o premier israelense Benjamin Netanyahu, Trump afirmou que o tempo estava se esgotando para Teerã e que o Irã precisaria agir rapidamente — caso contrário, nada sobraria do país.
Por volta das 7h30, o petróleo Brent subia 0,91%, a US$ 110,25 por barril, enquanto o WTI avançava 1,26%, a US$ 102,29. As negociações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito seguem estagnadas, mantendo o mercado de energia em estado de alerta. O petróleo segue como principal vetor externo de pressão sobre o câmbio, e as ameaças renovadas de Trump ao Irã reacendem essa tensão nesta segunda.
PF apura destino de R$ 134 mi ligados ao Banco Master
No front doméstico, a Polícia Federal avança nas investigações sobre Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência pelo Partido Liberal. A apuração busca rastrear movimentações financeiras ligadas a estruturas nos Estados Unidos e esclarecer o destino de recursos que o parlamentar teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Documentos indicam previsão de aportes de cerca de R$ 134 milhões para o projeto audiovisual Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Parte dos valores teria sido transferida pela Entre Investimentos, empresa ligada a Vorcaro, para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Na última quinta-feira (14), a revelação de áudios ligando Flávio Bolsonaro ao banqueiro já havia derrubado o Ibovespa 1,8% e disparado o dólar acima de R$ 5 — e a PF agora aprofunda as investigações sobre o destino dos recursos transferidos para os Estados Unidos.
O senador admitiu ter pedido recursos a Vorcaro para financiar o filme, revertendo negações anteriores. A mudança de versão ampliou o desgaste político, especialmente porque, ao mesmo tempo em que tratava do financiamento, Flávio Bolsonaro cobrava publicamente a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master.
A PF também apura se parte dos recursos teria custeado despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos — e se o projeto audiovisual serviu apenas como justificativa formal para a transferência dos valores, sem que a produção tenha ocorrido de fato.
O episódio amplifica a cautela dos investidores ao levantar dúvidas sobre a capacidade da oposição de lançar uma candidatura competitiva contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com menor perspectiva de alternância no poder, as projeções sobre o ajuste fiscal ganham contornos mais indefinidos, mantendo o câmbio e a bolsa sob pressão.
Mercados globais operam predominantemente no vermelho
Em Wall Street, os índices futuros sinalizavam abertura negativa às 8h45 (horário de Brasília): o Dow Jones recuava 0,7%, enquanto S&P 500 e Nasdaq cediam 0,4% cada. Na Europa, o desempenho era misto — FTSE 100 (+0,43%) e DAX (+0,75%) avançavam, mas o CAC 40 parisiense recuava 0,38%.
Na Ásia, o fechamento foi predominantemente negativo: o Hang Seng de Hong Kong perdeu 1,11%, o Nikkei de Tóquio cedeu 0,97% e o índice de Xangai recuou 0,09%.
