Política

Agente da PF se oferecia para serviços ilegais ao grupo de Vorcaro, revelam mensagens

Decisão do STF detalha como policial federal integrava circuito de demandas desde agosto de 2023
STF expõe agente da PF infiltrado no grupo Vorcaro em decisão sobre corrupção institucional

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram que um agente ativo do órgão se oferecia espontaneamente para prestar serviços ilegais ao grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A revelação consta na decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou, nesta quinta-feira (14), a 6ª fase da Operação Compliance Zero.

O agente Anderson Wander da Silva Lima, lotado na Delegacia Especial da PF no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, mantinha contato regular com Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado e integrante do núcleo "A Turma".

Do primeiro "trabalhinho" ao acesso a inquérito sigiloso

Segundo as investigações, Anderson Wander atuava junto a Marilson desde agosto de 2023, repassando informações sigilosas de forma estável e sistemática.

No mês seguinte ao primeiro serviço, foi o próprio agente quem tomou a iniciativa: enviou um áudio ao ex-policial dizendo querer fazer uns "trabalhinhos". Marilson respondeu que um serviço surgiria em outubro, possivelmente no Rio, e que precisaria do apoio "de vocês aí".

Para o ministro André Mendonça, o trecho revela que Anderson "não era mero executor de uma consulta ou outra, mas alguém integrado a circuito de demandas futuras e com expectativa de remuneração, prestando-se a atuar reiteradamente em favor da organização".

Inquérito e novas demandas

Em outubro, Marilson pediu ao agente que verificasse se uma pessoa ainda estava no Chile — a decisão não revela a identidade do alvo nem se a informação foi confirmada.

Em fevereiro de 2024, Marilson escalou as exigências: queria informações de um inquérito policial sobre crime financeiro envolvendo Daniel Vorcaro. Anderson recrutou três colegas da PF para acessar o processo.

Ao repassar o material, levou uma reprimenda: havia enviado o conteúdo integral do inquérito, quando Marilson queria apenas um resumo "sucinto". Uma semana depois, novo pedido chegou — desta vez, sobre uma intimação recebida por Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, preso na mesma operação nesta quinta-feira (14).

"A Turma" era o núcleo responsável por realizar ameaças violentas a adversários de Daniel Vorcaro, conforme mapeado pela PF. A 6ª fase da Compliance Zero mirou membros e colaboradores desse grupo nesta quinta-feira (14).

Anderson Wander não era o único policial federal infiltrado no esquema: uma delegada e outros agentes já haviam sido identificados repassando informações sigilosas ao operador Marilson via sistema e-Pol — estrutura de infiltração que a PF mapeou na mesma operação.

A intimação que levou Marilson a acionar Anderson Wander envolvia Henrique Vorcaro — o mesmo pai do banqueiro que, segundo a investigação, seguia repassando R$ 400 mil mensais ao grupo e demandava informações sigilosas sobre o inquérito mesmo após as primeiras fases da Compliance Zero.

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