A Polícia Federal identificou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como o “destinatário central” das vantagens indevidas atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A conclusão consta dos documentos que embasam a 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7), com mandados de busca e apreensão cumpridos no endereço do parlamentar.
A investigação descreve pagamentos mensais, compra de participação em empresa com desconto elevado, quitação de despesas pessoais, uso de bens de alto valor e recebimento de dinheiro em espécie.
A emenda do FGC redigida pelo banco
O caso mais emblemático descrito pela PF envolve uma emenda legislativa apresentada por Ciro Nogueira com o objetivo de ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — limite que beneficiaria diretamente correntistas e investidores do Banco Master.
Segundo a investigação, o texto da emenda foi produzido pela própria assessoria do banco. O documento foi enviado ao banqueiro Daniel Vorcaro e, na sequência, entregue pessoalmente ao senador em sua residência. A PF afirma que a proposta apresentada ao Senado reproduziu integralmente a versão encaminhada pelo banco.
Os investigadores também identificaram a circulação, a partir da residência do parlamentar, de minutas de outros projetos legislativos de interesse particular — depois encaminhadas ao gabinete para tramitação.
A 5ª fase da Compliance Zero ainda resultou na prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, com bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens — dimensão que evidencia a escala do esquema investigado pela PF.
Envelopes retirados da residência do senador
Em novembro de 2023, Vorcaro teria ordenado a retirada, da residência de Ciro Nogueira, de envelopes contendo minutas de projetos de lei de interesse do banqueiro. O material foi levado a um “escritório” indicado por Vorcaro para revisão e, depois de processado, entregue a um servidor vinculado ao gabinete parlamentar.
O detalhamento sobre os repasses ao senador surge em paralelo às negociações de delação premiada. A PF e a PGR rejeitaram a proposta inicial de colaboração de Vorcaro por falta de informações substanciais, o que teria levado o banqueiro a fornecer dados mais concretos sobre o esquema.
Ciro Nogueira não é alvo inédito em investigações federais. A PF já apurava a entrada de bagagens sem passagem pelo raio-x em voo particular que também transportava o presidente da Câmara, Hugo Motta — inquérito paralelo que segue em andamento.
