Economia

Arrecadação federal bate recorde em março e soma R$ 229 bilhões com alta real de 5%

Resultado é o maior para meses de março em 32 anos de série histórica e reforça aposta do governo no superávit de 2026
Imagem oficial do presidente Lula com símbolo da Receita Federal, representando recorde arrecadação federal

A arrecadação federal chegou a R$ 229,2 bilhões em março de 2026, o maior valor registrado para o mês em toda a série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995. O crescimento foi real: 4,99% acima de março do ano passado, quando o total somou R$ 218,4 bilhões já corrigidos pela inflação.

O desempenho foi puxado pela contribuição previdenciária, pelo PIS/Cofins, pelo IRRF-Capital e pelo IOF. Segundo a Receita, o crescimento da economia brasileira e os aumentos de impostos adotados pelo governo Lula também respondem pelo resultado histórico.

Trimestre inteiro também bate recorde

O resultado de março não foi uma surpresa isolada. Nos três primeiros meses de 2026, a arrecadação federal somou R$ 784,24 bilhões em valores corrigidos pela inflação — crescimento real de 4,6% sobre o mesmo período de 2025, quando o total alcançou R$ 749,9 bilhões. O primeiro trimestre também é recorde histórico para a série.

A tendência já vinha se desenhando antes: em fevereiro, a receita bruta igualmente bateu recorde histórico para o mês, somando R$ 222,1 bilhões. Naquele período, apesar de o governo ter fechado fevereiro com déficit de R$ 30 bilhões, o bimestre acumulou superávit.

O recorde de março tampouco surgiu do nada. Em 2025, a carga tributária brasileira já havia atingido 32,4% do PIB — o maior patamar da história —, impulsionada sobretudo pelo IOF e pela expansão da massa salarial. O movimento de alta na arrecadação reflete, portanto, uma trajetória estrutural consolidada ao longo dos últimos anos, combinando crescimento econômico com medidas tributárias do governo federal.

A aposta no superávit de 2026

O governo federal mantém como meta para 2026 um resultado positivo equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto, o que corresponde a cerca de R$ 34,3 bilhões. O crescimento contínuo da arrecadação é a principal alavanca para atingir esse objetivo dentro das regras do arcabouço fiscal.

As próprias regras do arcabouço, porém, permitem que o governo desconte do cálculo da meta até R$ 57,8 bilhões em despesas — incluindo o pagamento de precatórios, as sentenças judiciais já com trânsito em julgado. Na prática, isso amplia a margem de manobra do Executivo para fechar as contas no azul sem necessariamente cortar gastos.

A aposta na arrecadação como pilar fiscal não se limita a este ano. Na LDO 2027 enviada ao Congresso, o governo já sinalizou que seguirá adotando medidas para elevar tributos e perseguir o superávit primário no próximo exercício.

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