Brasil, México e Espanha divulgaram neste sábado (18) um comunicado conjunto cobrando respeito à soberania de Cuba e anunciando a intensificação do envio de ajuda humanitária ao país.
A nota, emitida pelo Itamaraty, não menciona Donald Trump diretamente — mas surge em um momento em que o presidente americano tem repetido que “Cuba é a próxima”, após ações militares dos EUA na Venezuela e no Irã.
O que diz o comunicado
O texto assinado pelos três governos reafirma os princípios da Carta das Nações Unidas — integridade territorial, igualdade soberana e solução pacífica de controvérsias — como balizas inegociáveis para qualquer ação relacionada a Cuba.
O documento reconhece as “circunstâncias dramáticas” do povo cubano e pede medidas concretas para aliviar a crise, além de alertar contra ações que “agravem as condições de vida da população ou contrárias ao direito internacional”.
A crise em Cuba
Nas últimas semanas, Cuba tem enfrentado uma das piores crises energéticas de sua história recente, com apagões recorrentes, escassez de combustível e falta de alimentos. A situação agravou-se progressivamente e aumentou as pressões internas e externas sobre o governo de Miguel Díaz-Canel.
Recentemente, Díaz-Canel afirmou que autoridades cubanas já iniciaram negociações com o governo dos Estados Unidos. O comunicado tripartite de sábado defende que qualquer diálogo deve ser “sincero, respeitoso e em conformidade com o direito internacional”.
Dois dias antes do comunicado conjunto sobre Cuba, Lula já havia tentado articular uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o Irã — e relatou que nenhum líder “deu ouvidos” à iniciativa, evidenciando o isolamento diplomático que o Brasil tenta romper com gestos como o desta semana.
O comunicado foi divulgado no mesmo sábado em que Lula discursava na 1ª Reunião de Mobilização Progressista Global, em Barcelona — evento criado por ele e pelo premier espanhol Pedro Sánchez para articular respostas globais ao avanço autoritário.
No discurso, o presidente brasileiro voltou a criticar líderes que ameaçam outros países. “Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com um tweet de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”, disse Lula, sem nomear Trump.
Crítica ao Conselho de Segurança
Lula também reiterou sua frustração com a ONU, que, segundo ele, está paralisada porque parte de seus membros permanentes — como Estados Unidos e Rússia — está diretamente envolvida em conflitos armados. No mesmo evento em Barcelona, o presidente chamou os cinco membros permanentes do Conselho de “senhores de guerra” e foi ovacionado pela plateia.
A iniciativa tripartite reflete o esforço do governo Lula de posicionar o Brasil como mediador em crises internacionais. Aliado histórico de Cuba e crítico do embargo americano imposto à ilha, Lula tem reforçado esse papel em meio a uma escalada militar liderada por Trump que, em poucas semanas, já afetou Venezuela e Irã.
