Saúde

Padilha recorre ao CAISM da Unicamp para criar programa do SUS voltado à menopausa

Ministro também quer ampliar a densitometria óssea e levar o modelo de radiofarmácia do HC a estados com pouca oferta
Fachada do Ministério da Saúde e campus da Unicamp simbolizam o novo programa do SUS menopausa

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, quer criar no SUS um programa voltado às mulheres no climatério e na menopausa, com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos e tratamentos nessa fase. Para formular a iniciativa, ele vai convidar professores do CAISM, da Unicamp.

Padilha fez o anúncio nesta terça-feira (27), durante visita ao Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher e ao Hospital de Clínicas (HC) da universidade, em Campinas (SP).

Por que o CAISM

Segundo Padilha, o centro foi escolhido porque já tem histórico de colaboração com a rede pública. O CAISM apoiou ações de cuidado materno-infantil, a implantação de uma nova técnica do exame Papanicolau e a coleta para identificação do papilomavírus humano (HPV).

A frente do HPV ganhou peso recente: três dias antes, o Ministério da Saúde divulgou que o teste de DNA-HPV do SUS encontrou o vírus de alto risco em cerca de 1 a cada 10 amostras, o que levou à ampliação do rastreamento do câncer do colo do útero.

“A gente vai convidar os professores do CAISM para discutir um novo programa para cuidar das mulheres na transição da menopausa e na menopausa”, afirmou o ministro.

Densitometria na mira

Na visita, Padilha acompanhou o funcionamento de um aparelho de densitometria óssea, exame que mede a massa do osso e é usado no acompanhamento de mulheres no climatério e na menopausa para evitar fraturas.

A proposta é que o novo programa amplie a oferta dessa tecnologia na rede pública. Ainda não há detalhes sobre prazos, orçamento ou formato da iniciativa.

Radiofarmácia como modelo para outras regiões

Outra frente citada pelo ministro é levar a outros estados a manipulação de radiofármacos, medicamentos que combinam elementos radioativos com fins de diagnóstico ou tratamento, geralmente de cânceres e tumores. O HC da Unicamp mantém uma Radiofarmácia Clínica no Serviço de Medicina Nuclear desde junho de 2024.

“No interior dos estados, regiões do norte, nordeste, centro-oeste, você tem poucos serviços de manipulação do radiofármaco. Esse modelo da radiofarmácia da Unicamp pode ser replicado também para as regiões”, disse Padilha.

A desigualdade no acesso ao tratamento oncológico já foi medida: um estudo mostrou que pacientes do Norte percorrem até seis vezes mais distância que os do Sul para fazer radioterapia.

Equipamento inédito na rede pública

No HC, o ministro conheceu o SPECT/CT, equipamento de R$ 8,6 milhões com detectores de telureto de cádmio-zinco (CZT) e recursos de inteligência artificial que geram imagens 3D de corpo inteiro com alta precisão.

O aparelho ajuda a identificar lesões precocemente, diagnosticar câncer e reduzir o tempo de espera dos pacientes. Segundo a Unicamp, o HC é o primeiro hospital público da América Latina a contar com a tecnologia.