Tecnologia

Prefeitura de SP admite vazamento no Smart Sampa que expôs acesso a 58 mil câmeras

Logins, senhas e dados de mais de 6.000 agentes ficaram na internet por 11 meses; Nunes nega falha e diz que o sistema é seguro
Central de monitoramento com guardas diante de telas, ilustrando o vazamento de dados Smart Sampa e o acesso a câmeras

A Prefeitura de São Paulo admitiu nesta terça-feira (20) o vazamento de dados sigilosos do Smart Sampa, programa de monitoramento por câmeras da capital. A gestão municipal, porém, nega que tenha havido falha de segurança na plataforma.

O caso veio à tona em reportagem do jornalista Artur Rodrigues, do UOL. O material exposto permitia acessar mais de 58 mil câmeras e ficou disponível na internet por cerca de 11 meses.

A gestão Ricardo Nunes (MDB) atribui o episódio a um servidor da área de segurança. Ele foi afastado e é investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.

O que ficou exposto

Segundo a reportagem, o vazamento reunia 181 logins e senhas de usuários autorizados a operar o sistema e informações de mais de 6.000 agentes de segurança. Também havia instruções que permitiam reproduzir partes da plataforma em computadores e celulares.

Com esse material, os jornalistas conseguiram abrir imagens de equipamentos espalhados pela cidade, entre eles câmeras instaladas em escolas, creches, hospitais e unidades de saúde. A apuração mostrou ainda que era possível acompanhar em tempo real as transmissões de aparelhos ligados ao programa.

Prefeito defende o programa

Nunes defendeu o Smart Sampa no lançamento da sede da TMC (Transamerica Media Company), empresa de mídia. “O sistema é absolutamente seguro. A gente não tem nenhuma ocorrência de utilização indevida do sistema”, afirmou.

A prefeitura sustenta que o problema não está na plataforma, e sim no servidor apontado como responsável pelo episódio, cuja conduta agora é apurada pela Corregedoria.

Reconhecimento facial e corrida presidencial

Lançado em 2024, o Smart Sampa usa inteligência artificial para cruzar as imagens das câmeras com bases oficiais de pessoas procuradas pela Justiça e de desaparecidos. O programa faz parte de um movimento mais amplo de expansão do reconhecimento facial em cidades brasileiras, tema que já motivava alertas de especialistas sobre privacidade e uso indevido de dados.

O vazamento aparece em pleno segundo turno da disputa presidencial, em que o modelo paulistano virou bandeira de campanha. Em 13 de outubro, ao anunciar o apoio de 17 diretórios estaduais do MDB ao senador Flávio Bolsonaro (PL), Nunes disse que o candidato pretende levar a ideia para todo o país com o Smart Brasil, que teria 2 milhões de câmeras.

O episódio também engrossa a lista de incidentes com dados no poder público em 2026: em maio, o INSS confirmou que informações de cerca de 2 milhões de segurados ficaram expostas após uma falha de segurança.