Saúde

Brasil fica abaixo da meta em 14 de 16 vacinas para bebês, aponta Ministério da Saúde

Pólio tem 88% de cobertura, ante meta de 95%; mutirão em capitais neste sábado tentou atualizar cadernetas de crianças e adultos
Crianças sorridentes abraçadas diante do Ministério da Saúde, ilustrando a baixa cobertura vacinal de bebês no Brasil

O Brasil está abaixo da cobertura recomendada em 14 das 16 principais vacinas para bebês de até 1 ano, segundo dados do Ministério da Saúde.

O número pesou sobre a campanha deste sábado (17), que levou a várias capitais ações para atualizar a vacinação de crianças e adultos. Os imunizantes fazem parte do calendário do SUS e estão disponíveis nos postos de saúde.

Como a maior parte das vacinas da rede pública não atingiu a meta, o país ainda precisa ampliar a cobertura vacinal.

Poliomielite e febre amarela longe do objetivo

O caso mais simbólico é o da poliomielite: a vacina chega a 88% do público-alvo, quando a meta é de 95%. A febre amarela tem a mesma meta e também segue distante dela.

Na prática, só duas das 16 vacinas prioritárias do primeiro ano de vida chegaram ao índice recomendado pelo Ministério da Saúde.

A baixa cobertura tem efeito concreto: em agosto, um surto de sarampo em São Paulo levou o Ministério da Saúde a ampliar a vacinação para pessoas de 6 meses a 59 anos na capital e em cidades vizinhas.

Mutirão nas capitais

Segundo reportagem do Jornal Nacional publicada no g1, a mobilização de sábado teve formatos diferentes pelo país. Em Curitiba, cerca de 300 voluntários ajudaram a população a atualizar o calendário vacinal e a tirar dúvidas. Em São Paulo, a prioridade foi o público com mais de 60 anos.

No Rio, a ação em Manguinhos teve a presença do Zé Gotinha e atraiu muitas famílias com crianças. Em Rio Branco, uma mãe aproveitou o dia para reforçar a imunização da filha, Aurora. Em Belo Horizonte, o morador Rafael renovou a dose contra o tétano.

Caderneta atrasada não é só problema infantil

A campanha não ficou restrita aos bebês. A atenção aos idosos em São Paulo e a procura de adultos por reforços, como o do tétano, mostram que a caderneta desatualizada atinge diferentes faixas etárias.

Em uma das ações, uma quadra de esportes recebeu atividades educativas e brincadeiras para crianças, com o objetivo de conscientizar as famílias sobre a queda na cobertura vacinal.

O cenário global já preocupava em julho, quando relatório da OMS e do Unicef mostrou que o abandono do esquema vacinal infantil saltou de 4% para 12% em 2025, embora o Brasil tenha liderado a redução de crianças sem nenhuma dose nas Américas.

Quem precisa atualizar a caderneta encontra as vacinas do calendário do SUS nos postos de saúde, inclusive fora dos dias de mobilização.