A Associação Conservação da Vida Silvestre (WCS Brasil) colocou no ar duas plataformas digitais que organizam, em mapas interativos, registros de crimes ambientais na Amazônia e de tráfico de animais silvestres em escala global. As ferramentas são atualizadas diariamente e estão disponíveis em português, inglês e espanhol.
Criados pelo Programa de Inteligência para Conservação da organização, o Observatório de Crimes Ambientais na Amazônia e o Observatório Global de Tráfico de Animais cruzam parâmetros de busca, inteligência artificial e registros georreferenciados.
De ocorrência isolada a inteligência acionável
A ferramenta voltada à Amazônia permite explorar a distribuição espacial e temporal de atos criminosos ou suspeitos, o que abre caminho para identificar padrões e lacunas de informação “relevantes para compreender as dinâmicas dos crimes ambientais na região”, descreve a própria página. Em uma aba de histórico de eventos, aparecem operações de combate ao garimpo, ao desmatamento e ao tráfico ilegal de madeira, além de missões de fiscalização de pesca sem documentação.
O sistema dedicado à fauna segue a mesma lógica: compila apreensões, ações de fiscalização e interceptações para, segundo a plataforma, “identificar rotas, espécies afetadas e padrões recorrentes”. Os dois observatórios apontam o uso de fontes abertas, a validação e a rastreabilidade como metodologia.
“A ideia é transformar eventos de tráfico, aparentemente isolados, em inteligência”, disse o biólogo Antônio de Carvalho, especialista em inteligência para a conservação da WCS Brasil, à Mongabay Brasil, em reportagem de Xavier Bartaburu. “E uma que seja acionável. Que um policial federal ou um agente do Ibama possa ter uma informação de direção e de rotas, muitas vezes perdidas no ‘mundo’ de dados que enfrentam todos os dias.”
Crimes que as plataformas se propõem a rastrear
O lançamento ocorre num momento em que o Brasil registrou 26 mortes de ativistas ambientais em 2025, a maioria ligada ao garimpo ilegal e à extração de madeira em Rondônia e no Pará — exatamente o tipo de ocorrência que o observatório amazônico pretende mapear.
Já o observatório de fauna chega pouco depois de um levantamento identificar mais de 33 mil exemplares de espécies protegidas pela Cites anunciados em plataformas como Facebook e Shopee, sinal de que o comércio ilegal de animais migrou para as redes sociais.
Jornalismo como fonte de dados
Em uma de suas seções, a ferramenta que mapeia o tráfico de animais também recomenda reportagens sobre o tema. Até o início de outubro, entre as 136 matérias indicadas pela organização, 32 eram publicações do veículo que divulgou o lançamento das plataformas.