Um estudo do Reglab encomendado pela OpenAI, dona do ChatGPT, estima que a adoção de inteligência artificial pode adicionar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto do Brasil entre 2027 e 2030.
O valor equivale a 7,6% do PIB projetado para 2026 e representa uma expansão média de 0,69 ponto porcentual ao ano na economia nacional, segundo o levantamento.
Indústria de transformação lidera ganhos setoriais
O estudo mapeia o impacto da IA em 12 grandes setores da economia brasileira. As indústrias de transformação concentram a maior fatia, com R$ 264,2 bilhões estimados entre 2027 e 2030, seguidas por outras atividades de serviços (R$ 165,4 bilhões) e o comércio (R$ 131,2 bilhões). O cenário dialoga com dados do IBGE, que já registrou crescimento de 163% no uso de IA na indústria brasileira entre 2022 e 2024, mostrando que a base para o salto projetado está em construção.
Trabalho pesa mais que capital na maioria dos setores
Segundo o levantamento, 65% do impacto total viria do aumento de produtividade dos trabalhadores, e 35% da maior eficiência do capital. A proporção muda conforme o setor: na agropecuária, 92% do efeito é capturado via capital, puxado pela incorporação de IA a máquinas e equipamentos, enquanto nas atividades financeiras 87% do impacto decorre da produtividade humana. No setor de informação e comunicação, que inclui data centers e desenvolvedores de software, o impacto estimado é de R$ 49,3 bilhões, dos quais 97% ligados ao fator trabalho.
Diferença entre tarefas expostas e empregos substituídos
O estudo separa exposição à IA de substituição de trabalhadores: de cada 100 tarefas cognitivas expostas à tecnologia, apenas 23 passariam pelo teste de custo-benefício para automação plena, enquanto 77 funcionariam como complemento à produtividade humana. A leitura contrasta com projeções anteriores que apontavam a eliminação de até 92 milhões de empregos globais até 2030, sugerindo um cenário menos drástico para o mercado de trabalho brasileiro.
A própria OpenAI já havia sinalizado, meses antes, que parte dos empregos será eliminada pela IA e defendeu medidas como a semana de quatro dias para redistribuir os ganhos de produtividade. No Brasil, porém, o estudo aponta que a difusão da tecnologia tende a ser mais lenta que em economias avançadas, dada a heterogeneidade entre empresas, o custo elevado do crédito e as lacunas de qualificação profissional. Até 2030, estima-se que já terão sido realizados 66,6% dos ganhos potenciais de produtividade do trabalho e 62,4% dos ganhos vinculados a capital.