Política

Lula injeta R$ 411,2 bilhões em medidas sociais a uma semana das eleições

Conta reúne 16 programas, de Bolsa Família a crédito industrial; Secom chama a metodologia de insustentável
Palácio do Planalto ao fundo, moedas e cédulas simbolizando o pacote social de Lula eleições 2026

O pacote social de Lula em 2026 chegou a R$ 411,2 bilhões a sete dias das eleições, segundo levantamento do Poder360 que reúne 16 medidas anunciadas ou ampliadas pelo governo federal ao longo do ano.

A conta vai do reajuste do Bolsa Família à isenção do Imposto de Renda e ao crédito para a indústria, e mira tanto o eleitorado mais pobre quanto a classe média, enquanto o petista tenta um inédito 4º mandato.

A última leva antes do voto

O anúncio mais recente veio em 25 de setembro, quando o governo lançou o Desenrola 3.0 no mesmo ato em que proibiu as bets. O programa prevê a compra de dívidas com atraso de dois a quatro anos e meio junto a instituições financeiras por meio de um leilão que pretende alcançar R$ 150 bilhões em débitos, com descontos de até 90% e custo estimado de R$ 15 bilhões; o governo espera realizar o leilão em novembro.

Na mesma sexta-feira (25), uma medida provisória prorrogou até 26 de outubro — a segunda-feira seguinte ao segundo turno — o prazo do Desenrola Adimplentes, linha do programa destinada a quem está em dia ou com atraso de até 90 dias no crédito. O prazo anterior venceria em 26 de setembro, a uma semana do primeiro turno.

Dias antes, em evento de campanha, o presidente já havia prometido mexer nas regras do Pix e do cartão de crédito para conter o endividamento das famílias.

A habitação concentra outra fatia relevante: a ampliação do Minha Casa, Minha Vida responde por R$ 24,8 bilhões, e o Reforma Casa Brasil, voltado a melhorias em moradias, por R$ 40 bilhões. Já o reajuste de 15% no Bolsa Família custará R$ 5,8 bilhões.

Do Imposto de Renda à indústria

O carro-chefe do ano foi a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês, com desconto parcial na faixa de R$ 5.000,01 a R$ 7.350. Em vigor desde fevereiro, a mudança alcançou cerca de 16 milhões de brasileiros — sem o efeito esperado sobre a popularidade, o que empurrou o Planalto a novos anúncios.

Para o setor produtivo, os maiores volumes estão no Nova Indústria Brasil, com R$ 140 bilhões, e no Plano Brasil Soberano, de R$ 15 bilhões, criado para apoiar exportadores atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos.

Segurança pública entra na conta

Área em que a esquerda costuma patinar, a segurança ganhou o programa Brasil contra o Crime Organizado, de R$ 11 bilhões, e um plano de ações integradas entre União, estados e municípios apresentado em 18 de setembro, no Rio de Janeiro. O programa havia sido lançado em maio, quando especialistas já alertavam para o risco de politização da pauta.

Governo contesta a conta

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) classificou como “descabida e metodologicamente insustentável” a tentativa de reunir sob um mesmo rótulo políticas com naturezas, objetivos e fontes de financiamento distintos, muitas em andamento há anos.

Segundo a secretaria, 8 das 16 políticas listadas foram lançadas antes do ano eleitoral — caso do Pé-de-Meia, criado em 2024 contra a evasão escolar — e, dos cerca de R$ 11 bilhões do programa de segurança, R$ 10 bilhões são linha de crédito, não recursos já desembolsados. “Governos não deixam de governar em ano de eleição”, diz a nota.

A disputa chega apertada à reta final. Pesquisa PoderData/Aya divulgada em 24 de setembro apontou 46% para Flávio Bolsonaro (PL) e 45% para Lula em eventual segundo turno, empate técnico diante da margem de erro de 1,8 ponto percentual. No primeiro turno, o petista aparece com 41%, contra 39% do senador.

O ritmo dos anúncios também salta aos olhos: em agosto, o mesmo conjunto de estímulos somava R$ 283,2 bilhões e já se aproximava do que Bolsonaro mobilizou em 2022. Em menos de dois meses, a marca avançou mais de R$ 128 bilhões.