Tecnologia

Bancos globais cobram regras antes que agentes de IA assumam as compras online

Relatório de cinco instituições aponta fraude, gasto acima do planejado e acesso a dados pessoais como riscos sem dono definido
Fachada de banco com camada digital simbolizando os riscos dos agentes de IA em compras online

Um grupo de bancos de cinco países divulgou nesta terça-feira (22) um alerta sobre delegar compras pela internet a sistemas de inteligência artificial: a tecnologia, dizem, está avançando mais rápido do que os padrões do setor e os mecanismos de proteção ao consumidor.

Assinam o documento o NatWest, do Reino Unido, o Bank of America e o Capital One, dos Estados Unidos, o holandês ING e o Commonwealth Bank of Australia. Na lista de riscos atribuídos aos agentes de IA aparecem golpes, fraude com dados de cartão e exposição de informações pessoais.

Onde a compra automatizada pode dar errado

O primeiro risco é o mais banal: o agente decide diferente do que o cliente esperava. Escolhe o produto errado, fecha o pedido em condições piores ou gasta acima do teto que o usuário tinha em mente.

Em teste do g1 no ano passado, o agente do ChatGPT já mostrava esse comportamento na prática: insistia por minutos em reservas e compras que não davam certo, em vez de corrigir a rota sozinho.

O segundo é a fraude. Um agente pode pedir os dados do cartão e inseri-los diretamente em um site, ou encaminhar o consumidor para um meio de pagamento que oferece menos proteção quando a compra dá problema.

O terceiro é a privacidade. Para agir em nome do usuário, essas ferramentas precisam acessar informações pessoais e financeiras — e ainda não há definição clara sobre como esses dados serão armazenados e utilizados.

Há ainda a lacuna de responsabilidade. O relatório observa que o consumidor pode simplesmente não saber a quem reclamar se a transação sair errada: a loja, o banco ou a empresa dona do agente.

O que os bancos querem das autoridades

O grupo pretende levar propostas a reguladores e formuladores de políticas para criar regras próprias desse tipo de comércio. Entre elas, a obrigação de informar quando um agente de IA está envolvido em uma transação e mais transparência sobre os critérios que o sistema usa para decidir.

As instituições também defendem medidas de proteção de dados, o direito de clientes e comerciantes escolherem quais serviços de comércio eletrônico com IA querem usar e interoperabilidade entre os diferentes sistemas.

A dúvida sobre quem responde pelo erro de uma ferramenta automatizada já saiu do campo teórico: processos nos Estados Unidos colocam empresas como OpenAI e Character.AI no banco dos réus, com famílias alegando que elas falharam em prever os danos de seus produtos.

O uso já aparece nos números do varejo

A britânica John Lewis informou que as buscas em seu site originadas por agentes de IA chegaram a 2,5% em setembro, contra 0,3% um ano antes. A fatia ainda é pequena, mas multiplicou por oito em doze meses.

Enquanto isso, OpenAI, Anthropic, Google e Meta desenvolvem ferramentas desse tipo e varejistas disputam espaço nas recomendações dos chatbots. Para os bancos, é exatamente esse ritmo que torna urgente fixar regras antes que comprar por agente vire rotina.