Economia

CNPJ bate recorde entre autônomos e patrões, mas 65% deles seguem sem registro

No Sul, a cobertura chega a 46,7%; no Norte, fica em 15,6% — e só 6,5% dos autônomos do campo têm empresa aberta
Mapa dividido mostra contraste regional na formalização de autônomos com CNPJ entre Sul e Norte do Brasil

{“updated_content”:”

A formaliza\u00e7\u00e3o de aut\u00f4nomos e donos de neg\u00f3cio no Brasil chegou ao maior patamar j\u00e1 medido: 35% tinham CNPJ em 2025, contra 24% em 2012 \u2014 o equivalente a 10,7 milh\u00f5es de pessoas entre os 30,6 milh\u00f5es de empreendedores do pa\u00eds, parcela de um total de 103 milh\u00f5es de ocupados. Ainda assim, quase 20 milh\u00f5es (65% do grupo) seguem sem registro.

\n

Os dados s\u00e3o da PNAD Cont\u00ednua divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (23), pesquisa feita desde 2012 \u2014 com interrup\u00e7\u00e3o em 2020 e 2021, por causa da pandemia de covid-19, que inviabilizou a coleta de dados. Treze anos de s\u00e9rie hist\u00f3rica depois, o avan\u00e7o aparece \u2014 mas distribu\u00eddo de forma desigual por regi\u00e3o, setor, sexo e escolaridade.

\n

O recorde veio dos aut\u00f4nomos, que ainda s\u00e3o maioria sem registro

\n

O salto do per\u00edodo se concentrou em quem trabalha por conta pr\u00f3pria: a cobertura de CNPJ nesse grupo passou de 15% em 2012 para 27,1% em 2025, alta de 12,1 pontos percentuais e o melhor resultado da s\u00e9rie. O outro lado do mesmo n\u00famero \u00e9 que 72,9% desses trabalhadores continuam sem qualquer registro.

\n

Entre os empregadores, que j\u00e1 partiam de um patamar alto, a taxa subiu de 75,6% para 81,1% no mesmo intervalo \u2014 desde 2019, o \u00edndice do grupo se mant\u00e9m em pelo menos 80%, comportamento que o IBGE classifica como est\u00e1vel em patamar elevado.

\n

O diploma \u00e9 o maior divisor

\n

Pela primeira vez, mais da metade dos trabalhadores por conta pr\u00f3pria com ensino superior completo tinha CNPJ: 50,8%. No extremo oposto, entre os que n\u00e3o t\u00eam instru\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o conclu\u00edram o fundamental, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 11,1% \u2014 uma dist\u00e2ncia de 39,7 pontos percentuais entre os dois grupos. Na faixa do ensino m\u00e9dio completo, a taxa fica em 29,7%. Entre o fundamental completo e o m\u00e9dio incompleto, o \u00edndice \u00e9 de 18,6%, patamar intermedi\u00e1rio entre os dois extremos da s\u00e9rie.

\n

Para William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE, o patamar segue insuficiente. \u201c\u00c9 \u00f3bvio que 27,1% \u00e9 um valor baixo. O que se espera s\u00e3o valores bastante elevados, porque h\u00e1 uma s\u00e9rie de benef\u00edcios e contribui\u00e7\u00f5es para a economia que o registro pode trazer\u201d, disse ao g1. Ele ponderou que a pesquisa n\u00e3o permite identificar se o crescimento dos registros tem rela\u00e7\u00e3o com a pejotiza\u00e7\u00e3o. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, o analista associou o maior n\u00edvel de informalidade entre os conta pr\u00f3pria \u00e0 escolaridade mais baixa desse grupo: \u201ca taxa de registro est\u00e1 fortemente ligada ao n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o. Quanto mais instru\u00e7\u00e3o a pessoa tem, mais preparada ela est\u00e1 para o mercado\u201d, disse. Segundo ele, o avan\u00e7o entre os mais escolarizados tamb\u00e9m \u00e9 puxado por programas de desburocratiza\u00e7\u00e3o, como o Microempreendedor Individual (MEI), que facilita abrir e legalizar a empresa, acessar conta banc\u00e1ria e receber formalmente via Pix ou boleto.

\n

Sul lidera, Norte fica para tr\u00e1s

\n

A geografia da formaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00edtida. O Sul registrou a maior cobertura em 2025, com 46,7%, seguido por Sudeste e Centro-Oeste, ambos com 41,6% \u2014 todos acima da m\u00e9dia nacional de 35%. Nordeste (20,1%) e Norte (15,6%) aparecem na outra ponta. Desde 2012, o Centro-Oeste foi quem mais avan\u00e7ou, com alta de 14,3 pontos percentuais, enquanto o Norte subiu apenas 3,6 pontos.

\n

Com\u00e9rcio na frente, campo na lanterna

\n

Entre os aut\u00f4nomos, a maior cobertura est\u00e1 no com\u00e9rcio e repara\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos (36,7%), seguido por servi\u00e7os (33,5%), ind\u00fastria (22,8%) e constru\u00e7\u00e3o (14,8%). A agricultura e a pesca fecham a lista, com 6,5%. A constru\u00e7\u00e3o, ainda assim, foi o setor de maior transforma\u00e7\u00e3o: entre os empregadores do segmento, o registro saiu de 36,4% para 58,2%, alta de 21,8 pontos.

\n

O recorte por sexo trouxe outro dado: 36,7% das mulheres ocupadas como empregadoras ou por conta pr\u00f3pria tinham CNPJ, contra 34,2% dos homens \u2014 diferen\u00e7a de 2,5 pontos, ante 0,6 ponto em 2012. O avan\u00e7o, por\u00e9m, n\u00e3o se espalha por todas as categorias: o emprego dom\u00e9stico formal encolheu 21% na \u00faltima d\u00e9cada, eliminando 347 mil vagas com carteira assinada. E h\u00e1 tamb\u00e9m um componente de prefer\u00eancia: 59% dos brasileiros dizem preferir trabalhar por conta pr\u00f3pria a ter carteira assinada.

\n”,”updated_title”:null,”updated_excerpt”:null,”new_source_focus”:”Ag\u00eancia Brasil detalhou os n\u00fameros absolutos (10,7 mi com CNPJ) e citou o MEI como impulsionador da formaliza\u00e7\u00e3o entre os mais escolarizados, em entrevista com o analista do IBGE.”}

{“content”: null, “nextStep”: null}