O mercado financeiro elevou para 4,92% a estimativa de inflação para 2026 e passou a prever um novo corte na taxa de juros ainda neste ano.
Os dados fazem parte do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central, com base em consulta a mais de 100 instituições financeiras.
A revisão da inflação ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo e ameaça repassar o aumento aos combustíveis no Brasil.
PIB perde ritmo em meio à alta da inflação
Para 2026, o mercado reduziu de 1,89% para 1,88% a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), sinalizando desaceleração da economia. Em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB avançou 2,3%.
Para 2027, a projeção também recuou, de 1,45% para 1,43%.
O sistema de meta contínua, em vigor desde o início de 2025, fixa o objetivo da inflação em 3%, com tolerância entre 1,50% e 4,50%. Mesmo dentro dessa faixa, os 4,92% agora projetados para 2026 indicam pressão persistente sobre os preços.
A trajetória contrasta com a de julho, quando o mercado projetava inflação de 5,15% para 2026, com a Selic ainda em 14,25% ao ano após apenas três cortes. Dias depois, a estimativa recuou ainda mais, para 5,12%, na quarta queda consecutiva da série — movimento que se inverteu nas semanas seguintes até chegar aos atuais 4,92%.
Juros seguem em trajetória de queda
A Selic está atualmente em 13,75% ao ano, após cinco cortes ao longo deste ano — o mais recente, de 0,25 ponto percentual, promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada. Com a inflação projetada ainda acima do centro da meta, o mercado passou a prever mais uma redução: a expectativa para a Selic ao fim de 2026 recuou de 13,75% para 13,50% ao ano. Para 2027, a projeção é de 12% ao ano.
Quanto maior a inflação, menor o poder de compra da população — sobretudo entre quem recebe salários mais baixos, já que os preços sobem sem que a renda acompanhe o mesmo ritmo.
Para o câmbio, as projeções permaneceram estáveis: o mercado mantém a expectativa de R$ 5,20 por dólar ao fim de 2026 e de R$ 5,28 por dólar ao término de 2027.