O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou a nova edição da Cartilha do Participante da redação do Enem 2026, disponível no portal oficial do órgão.
Pelo segundo ano consecutivo, o documento reforça a proibição de repertórios de bolso — citações decoradas e usadas de forma genérica, sem relação real com o tema da prova, que podem derrubar a nota da competência II.
O que caracteriza um repertório de bolso
Segundo a definição do Inep, repertórios de bolso são “referências prontas, memorizadas e frequentemente utilizadas pelos(as) participantes, de forma genérica e pouco aprofundada, sem uma conexão genuína com o tema proposto”. Citações desse tipo, mesmo corretas, não comprovam capacidade de argumentação e podem custar pontos na competência II, responsável por avaliar o uso de repertório sociocultural.
A cartilha traz um exemplo prático: um trecho sobre o tema do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, em que o avaliador identifica repertório inserido de forma decorada e automática, sem articulação com o argumento do texto. Segundo o documento, nesses casos “o(a) avaliador(a) pode avaliá-lo como não produtivo, o que poderá prejudicar a nota da competência II”.
Como funciona a correção da redação
O texto dissertativo-argumentativo, de até 30 linhas, deve partir da situação-problema apresentada na prova, mobilizando conhecimentos da formação escolar e os textos motivadores. A correção é feita por ao menos dois avaliadores independentes, que atribuem de 0 a 200 pontos em cada uma das cinco competências — total que pode chegar a 1.000 pontos, com a nota final calculada pela média aritmética das avaliações.
A divergência entre avaliadores sobre o que conta como repertório legítimo não é hipotética. No Enem 2025, um candidato recebeu notas de 600 e 760 pontos de corretores distintos para a mesma redação — episódio que envolveu diferenças de até 80 pontos entre avaliadores em uma mesma competência e levou o caso a uma banca extraordinária, responsável por definir a nota mil final do estudante. Casos assim ajudam a explicar por que o Inep decidiu formalizar o alerta contra repertórios de bolso pelo segundo ano seguido.
Criado há mais de duas décadas, o Enem é hoje a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil. As notas podem ser usadas para concorrer a vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) e pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), além de servirem como critério em instituições públicas e privadas. O resultado individual também é aceito por universidades portuguesas conveniadas ao Inep, ampliando as possibilidades de ingresso de brasileiros no ensino superior em Portugal.