A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta segunda-feira (14) a compra da Nova AVB, controladora da Avibras, pela Globe Investimentos, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
A operação foi notificada ao órgão em agosto e os valores da transação permanecem em sigilo. A Avibras fabrica sistemas de artilharia, mísseis, foguetes e soluções antiaéreas para o setor de defesa.
Por que o Cade aprovou sem restrições
Na análise técnica, o Cade classificou a operação como uma “substituição de agente econômico”: a Globe, veículo usado pelos irmãos Batista para a aquisição, não tinha atuação prévia no mercado de defesa nem em segmentos ligados aos negócios da Avibras.
Por isso, o órgão concluiu que não há sobreposição entre as atividades das duas empresas nem integração vertical — ou seja, a compra não reúne concorrentes diretos nem une diferentes etapas de uma mesma cadeia produtiva sob o mesmo comando.
Uma empresa em reconstrução
A aprovação chega em meio à tentativa da Avibras de se recuperar de uma crise financeira severa. A companhia entrou em recuperação judicial em março de 2022 e ficou cerca de três anos paralisada, após uma greve de funcionários motivada pela falta de pagamento.
Em 2025, o Brasil Crédito assumiu o controle da companhia ao comprar a dívida de um antigo acionista indonésio, em acordo firmado com João Brasil Carvalho Leite, filho do fundador da Avibras. Foi nesse processo de reestruturação que os ativos industriais e tecnológicos foram concentrados na Nova AVB, enquanto a empresa original manteve os passivos submetidos à recuperação judicial.
A operação é mais um capítulo de uma reestruturação que se arrasta há anos. Em agosto de 2025, a Avibras já havia anunciado mudança no controle acionário enquanto acumulava mais de mil dias de greve dos funcionários.
A fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, no Vale do Paraíba, retomou as operações em maio de 2026, encerrando mais de três anos de paralisação. Pouco depois, a unidade foi credenciada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa, reconhecimento que reforça o valor estratégico do ativo agora sob controle dos irmãos Batista.