Economia

Move Aplicativos passa a financiar carros usados, mas crédito trava para motoristas

Apenas 3% dos R$ 30 bilhões do programa foram usados até agora, travados pela alta taxa de negativação dos motoristas
Carro usado e smartphone com apps ilustram o financiamento carro usado motorista aplicativo travado no Brasil.

O governo federal ampliou nesta semana o programa Move Aplicativos, que passa a permitir o financiamento de carros usados com juros reduzidos para motoristas de aplicativo e taxistas.

Apesar dos R$ 30 bilhões reservados pelo BNDES para bancar os juros mais baixos, apenas R$ 1 bilhão havia sido empenhado até 14 de julho — 3% do total previsto para a linha.

Especialistas ouvidos pelo g1 apontam a aprovação do crédito, e não os juros, como o principal obstáculo enfrentado pelos motoristas que buscam o financiamento.

Por que a aprovação do crédito trava o programa

Leandro Cruz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipais do Estado de São Paulo, afirma que boa parte dos motoristas chega “negativada” às financeiras. Segundo ele, quem mais precisa do financiamento — motoristas com faturamento de R$ 10 mil a R$ 12 mil — é justamente quem mais tem o pedido negado.

Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV Ibre), lembra que as famílias brasileiras chegam ao financiamento já endividadas. “As famílias estão muito endividadas. Tanto a dívida quanto o serviço da dívida estão no recorde histórico”, afirma.

Os dados do Serasa reforçam o diagnóstico: em junho, o Brasil somava 83,7 milhões de endividados, alta de 17,2% frente a 2023 e recorde da série histórica, com crescimento por 18 meses seguidos.

Das nove instituições financeiras credenciadas no programa, apenas duas são consideradas mais acessíveis aos motoristas, o que reduz as chances de aprovação mesmo com a garantia do próprio veículo.

Para carros seminovos, as regras seguem as mesmas em vigor desde junho, mas a garantia de um modelo usado é menor que a de um zero-quilômetro, o que eleva o custo em um prazo mais curto. Híbridos flex por menos de R$ 150 mil ainda são raros no mercado de seminovos — reflexo também da renovação da isenção de impostos para elétricos importados, política do governo para conter preços no mercado nacional. Já os elétricos aparecem em maior número nessa faixa, segundo a tabela Fipe.

Reação do setor e posição do BNDES

A Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) e a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) dizem apoiar a expansão do programa, mas pedem cautela. “Se os critérios de análise de risco permanecerem os mesmos, uma parcela significativa desses profissionais continuará encontrando barreiras”, disse Everton Fernandes, presidente da Fenauto.

Procurado pelo g1, o BNDES negou problemas no repasse dos recursos e afirmou que a aprovação das operações “ocorre de forma gradual”, já que envolve etapas de habilitação, análise de crédito e contratação junto às financeiras credenciadas. Segundo o banco, os critérios de aprovação seguem a política de crédito de cada instituição, não do próprio BNDES.

O caso lembra o do Move Brasil, programa irmão voltado a entregadores de moto e bike: o adiamento do crédito já havia mostrado que o cadastro aprovado não garante a liberação do dinheiro, decisão que fica sempre a cargo dos bancos.

O mesmo endividamento das famílias que trava o Move Aplicativos levou o governo a lançar, semanas antes, o Desenrola Adimplentes, voltado a quem paga juros altos mesmo em dia com as contas.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Instabilidade no 5G da Vivo dispara reclamações em SP

Moraes nega visita de Milei a Bolsonaro na prisão domiciliar

Moraes proíbe visitas políticas a Bolsonaro e Marinho vê ‘silenciamento’

PF aciona Interpol para rastrear patrimônio de Vorcaro no exterior