Economia

Fed sinaliza possível alta de juros nos EUA para conter inflação

Declaração de Warsh acende alerta sobre pressão na Selic e no câmbio brasileiro
Kevin Warsh discursa em audiência com prédio do Federal Reserve ao fundo, sinalizando alta de juros nos EUA

O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta sexta-feira (28), durante a conferência anual do banco central americano, que os Estados Unidos podem promover uma alta nos juros nos próximos meses para conter a inflação, ainda acima da meta de 2%.

Segundo Warsh, dados recentes mostram melhora, mas ele quer garantir que a inflação subjacente caminhe para a meta “de forma clara e em velocidade suficiente”, sob risco de o Fed precisar agir.

Cautela declarada, mas alerta mantido

Durante a conferência anual do Fed, Warsh reforçou o aviso: “Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer.” A frase repete, de modo mais direto, avisos que ele já fazia desde que assumiu o banco central.

O dirigente evitou o que analistas chamam de “orientação futura” sobre os juros e afirmou que o patamar atual das taxas não restringe a atividade econômica americana — ou seja, a alta não está garantida, mas também não foi descartada. A próxima reunião do Fed sobre o tema ocorre em 15 e 16 de setembro.

Perfil que já era esperado

Warsh chegou ao Fed com histórico reconhecido de postura rígida contra a inflação, e analistas já apontavam que ele não hesitaria em subir os juros quando julgasse necessário. Em sua estreia à frente do banco central, em junho, o Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, com a inflação americana em 4,2% — mais que o dobro da meta de 2%.

Efeito cambial chega ao Brasil

Juros elevados nos EUA mantêm atrativos os rendimentos das Treasuries, os títulos públicos americanos considerados os investimentos mais seguros do mundo. Isso atrai capital estrangeiro para os EUA e fortalece o dólar frente a outras moedas.

O movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil e a desvalorizar o real. Um dólar mais caro, por sua vez, pressiona a inflação brasileira e reforça os argumentos para que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic em patamar elevado por mais tempo.

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