A farmacêutica Eurofarma firmou parceria com a japonesa Eisai para trazer ao Brasil o Dayvigo (lemborexanto), medicamento contra insônia que promete menos dependência do que os remédios mais usados atualmente.
O lançamento está previsto para ainda este ano, com preço em torno de R$ 200, e marca a chegada ao país da primeira droga da classe dos antagonistas duplos dos receptores de orexina, conhecida como DORA.
Os medicamentos mais utilizados hoje contra a insônia — como zolpidem, zopiclona e eszopiclona, as chamadas “drogas Z” — atuam como indutores do sono. Eles aumentam a atividade de um neurotransmissor inibitório no cérebro, forçando um estado de sonolência no paciente.
Um mecanismo em sentido contrário
O lemborexanto segue lógica oposta. Em vez de induzir o sono, a substância bloqueia a orexina, neurotransmissor responsável por manter o cérebro em estado de vigília. Ao inibir esse sinal de “despertar”, o medicamento favorece o sono sem recorrer à sedação forçada característica das drogas Z — mecanismo apontado como o principal motivo para o menor potencial de dependência.
O Dayvigo é a primeira representante no Brasil da classe dos antagonistas duplos dos receptores de orexina, batizada de DORA, e chega ao país por meio de parceria entre a Eurofarma e a Eisai, detentora da molécula.
O lemborexanto não é novidade no mercado internacional: o composto já está aprovado para o tratamento da insônia em mais de 25 países, entre eles Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália.
A chegada ao Brasil amplia as opções terapêuticas disponíveis no país para quem sofre com distúrbios do sono, somando-se aos indutores já consolidados no mercado. Para os pacientes, a expectativa em torno do Dayvigo está justamente na possibilidade de tratar a insônia com menor risco de dependência química, um dos principais entraves do uso prolongado das drogas Z atualmente prescritas.