Pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP testaram o uso de fitas elásticas adesivas no tórax e abdome de homens com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) moderada a muito grave.
O estudo avaliou 48 pacientes por meio de ultrassom e pletismografia optoeletrônica, comparando a respiração com e sem o acessório em repouso e após esforço físico.
Como a hiperinsuflação compromete a respiração
Causada principalmente pelo tabagismo e pela exposição prolongada a poluentes, a DPOC provoca uma limitação progressiva do fluxo de ar nos pulmões. Em 2021, a doença foi a quarta principal causa de morte no mundo, e seus efeitos se agravam com o tempo, restringindo a qualidade de vida de quem convive com o diagnóstico.
Com a progressão do quadro, a inflamação crônica e o estreitamento das vias aéreas favorecem o aprisionamento de ar dentro dos pulmões, fenômeno conhecido como hiperinsuflação. A caixa torácica permanece mais expandida, as costelas se posicionam de forma mais horizontal e o diafragma, principal músculo da respiração, passa a trabalhar de maneira menos eficiente.
A técnica com fitas elásticas
A aplicação é feita sobre os músculos reto abdominal, oblíquo interno e intercostais internos, na tentativa de otimizar a mecânica respiratória. Segundo Estéfane Caroline Monteiro Reis, autora da pesquisa de mestrado pelo Laboratório de Investigação em Fisioterapia e Exercício (LIFFE) do HC-FMUSP, os testes com 48 homens não obesos, entre os graus moderado e muito grave da doença, identificaram mudanças no padrão ventilatório e na distribuição do ar entre tórax e abdome.
Os voluntários passaram por ultrassom e pletismografia optoeletrônica, exame tridimensional que mede o volume de ar em cada compartimento do tronco, com e sem a fita, em repouso e após esforço, permitindo comparar os resultados de cada paciente.
Um passo em uma linha de pesquisa
O novo estudo é o terceiro do LIFFE sobre o uso das fitas em pacientes com DPOC. O primeiro, conduzido por Thiago Fernandes Pinto, idealizador da técnica, já havia associado a aplicação de curto prazo à redução da falta de ar e da assincronia entre os movimentos do tórax e do abdome. O segundo, de autoria de Eloise Arruda dos Santos, testou o uso contínuo por 14 dias e apontou melhora na qualidade de vida dos participantes.
Nos novos testes, a fita reduziu pontualmente a sensação de fadiga e falta de ar em repouso, mas também diminuiu a mobilidade do diafragma após o esforço físico, resultado que, segundo a orientadora do estudo, Juliana de Melo Batista dos Santos, não deve ser lido como piora respiratória. A pesquisadora explica que a menor mobilidade pode estar relacionada a uma mudança na estratégia ventilatória durante o uso das fitas, mas os mecanismos ainda precisam ser esclarecidos.
As próximas etapas devem ampliar o perfil dos participantes para identificar quais subgrupos respondem melhor à técnica, já que o aumento esperado na mobilidade diafragmática não foi confirmado. A dissertação completa está disponível no Banco Digital de Teses e Dissertações da USP.