Fernando Haddad (PT) revelou nesta quinta-feira (7) que resistiu muito antes de aceitar disputar o governo de São Paulo — e que foi Lula quem o convenceu, em conversas que se estenderam por “muitas horas” ao longo de vários dias.
O ex-ministro da Fazenda estava focado em elaborar um plano de desenvolvimento econômico no âmbito federal quando o presidente o chamou para a missão. “Precisamos de um candidato forte em SP, que explique o que está acontecendo para a sociedade paulista”, relatou Haddad, reproduzindo as palavras de Lula.
A declaração foi feita em evento na Fundação Fernando Henrique Cardoso, onde Haddad debateu economia e política ao lado de Celso Lafer e Sergio Fausto.
Chapa com mais mulheres do que a de Tarcísio
A composição da chapa de Haddad ainda não está fechada, mas o pré-candidato já fez uma promessa pública: haverá mais mulheres representadas do que na chapa de Tarcísio de Freitas, que conta com Felício Ramuth (MDB) como vice e aposta em André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) para o Senado.
Para a vice-governadoria, Haddad sondou Teresa Vendramini, pecuarista e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, mas ela recusou a candidatura. “Ela vai ajudar no plano de governo. Se dispôs a ajudar, inclusive depois da eleição, está tudo bem”, disse o pré-candidato.
O PDT está empenhado em ocupar a vaga de vice. Os nomes avaliados são Marcelo Barbieri, ex-prefeito de Araraquara que migrou do MDB para o partido, e Antonio Neto, presidente do diretório paulista da legenda. Haddad afirmou estar “muito sintonizado” com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.
Disputa acirrada pelas vagas ao Senado
As duas vagas ao Senado pela chapa de Haddad também seguem em aberto. A primeira deve ficar com Simone Tebet (PSB). A segunda é disputada entre o PSB e a Federação PSOL-Rede, que aposta em Marina Silva (Rede).
O foco da federação em maio é convencer partidos aliados de que Marina é a melhor alternativa. A deputada descarta aceitar uma eventual suplência. Márcio França (PSB) também reivindica a vaga e já lançou chapa com suplente definido.
Haddad disse que pretende retomar as conversas com Marina, Tebet e França “assim que for possível”, quando estiverem em São Paulo.
No evento, Haddad voltou a criticar Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontando o que classificou como equívoco do governador ao não compreender o pacto federativo. “Tudo veio de lá pra cá, daqui para lá não foi nada. Ajudamos na renegociação da dívida, empréstimos do BNDES, botamos o Minha Casa Minha Vida para funcionar no estado”, afirmou. O ex-ministro também criticou a posição de Tarcísio sobre a PEC da Segurança, alegando que o governador não distingue política de governo de política de Estado.
O petista entra na disputa num momento em que Tarcísio já havia consolidado sua articulação com a direita nacional, incluindo aliança selada com Flávio Bolsonaro semanas antes. Para o campo petista, a tarefa é montar uma frente ampla em tempo reduzido antes das eleições de outubro.
Haddad conta ainda com o apoio esperado da deputada federal Tabata Amaral (PSB), que vem publicando vídeos criticando a gestão Tarcísio nas redes sociais. Ao encerrar o evento, o pré-candidato ironizou com leveza: “Não vou pedir votos, mas você sabe que eu preciso deles, né?”
