O Banco Central informou nesta segunda-feira (17) que o IBC-Br, indicador considerado a “prévia” do PIB, cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores, já com ajuste sazonal.
O resultado marca forte desaceleração da atividade econômica e ocorre em meio à estratégia do BC de esfriar o ritmo de crescimento para conter a inflação, mesmo em um ano eleitoral marcado por estímulos do governo ao consumo.
Setores puxam resultado em direções opostas
Por setores, o IBC-Br mostrou expansão na agropecuária e na indústria durante o segundo trimestre, enquanto o setor de serviços registrou retração. O levantamento também revelou queda de 0,6% em junho na comparação com maio, sinal de que a perda de ritmo se intensificou ao longo do período.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, sem ajuste sazonal, o indicador acumula alta de 1,5% — mesmo percentual da variação acumulada em 12 meses até junho.
A desaceleração contrasta com o início do ano: em janeiro, o indicador avançou 0,8%, o maior salto mensal em um ano, e em fevereiro completou cinco meses consecutivos de alta, com expansão de 0,6%. O resultado do segundo trimestre confirma que essa sequência de crescimento perdeu fôlego.
Estímulos do governo e pressão inflacionária
Em ano eleitoral, a equipe econômica tem adotado medidas para aquecer o consumo, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a liberação de saques do FGTS e linhas de crédito mais baratas. Essas ações elevam a demanda por bens e serviços, mas dificultam o trabalho do Banco Central no controle da inflação.
Na ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, o BC reafirmou que o “hiato do produto” segue positivo — ou seja, a economia continua operando acima de seu potencial sem gerar pressões adicionais sobre os preços, o que justifica a busca por uma desaceleração controlada.
Como o indicador do BC difere do PIB oficial
O IBC-Br não é o PIB, mas funciona como uma antecipação dele. O cálculo do Banco Central incorpora estimativas para agropecuária, indústria e serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda — variável que entra no cálculo oficial feito pelo IBGE.
O resultado definitivo do PIB do segundo trimestre, apurado pelo IBGE, será divulgado em 1º de setembro e pode confirmar ou contrariar a tendência de desaceleração sinalizada pelo indicador do Banco Central.
Impacto na taxa de juros
O IBC-Br é um dos indicadores usados pelo BC para calibrar a Selic. Um crescimento mais forte da economia tende a ampliar a pressão inflacionária, o que pode reduzir o espaço para cortes na taxa básica de juros nas próximas reuniões do Copom.