A economia brasileira avançou 0,5% em abril na comparação com março, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta quarta-feira (17). O dado, ajustado sazonalmente, reforça que o país mantém trajetória positiva.
Em 12 meses até abril, o indicador acumula alta de 1,6%. Na parcial do ano, o avanço é de 1,3%. Frente a abril de 2025, o crescimento foi de 0,9%.
O IBC-Br, chamado de “prévia do PIB”, é uma das ferramentas usadas pelo Banco Central para calibrar a taxa básica de juros.
Desaceleração calculada: BC aceita crescimento menor para conter inflação
A expansão de abril ocorre em um ambiente de juros elevados. A Selic está em 14,5% ao ano — patamar que, segundo o Banco Central, é necessário para trazer a inflação de volta à meta de 3%.
O BC tem sido transparente sobre a estratégia: uma desaceleração da atividade econômica é um “elemento necessário para a convergência da inflação à meta”. Na ata da última reunião do Copom, realizada no fim de abril, a autoridade monetária apontou que o “hiato do produto” segue positivo — ou seja, a economia ainda opera acima do seu potencial sem gerar pressão inflacionária adicional.
O mercado financeiro estima crescimento de 1,96% para o PIB em 2026, abaixo dos 2,3% registrados em 2025. A previsão reflete o efeito esperado dos juros altos sobre o consumo e o investimento das famílias e empresas.
O dado de abril chega após um primeiro trimestre robusto: o PIB oficial cresceu 1,1% entre janeiro e março, puxado pela agropecuária — base que torna a desaceleração esperada para os próximos meses ainda mais relevante de acompanhar.
IBC-Br e PIB: metodologias diferentes, leituras complementares
O IBC-Br incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. A diferença em relação ao PIB oficial, calculado pelo IBGE, está na ausência do lado da demanda — consumo das famílias, investimentos e gastos do governo não entram diretamente no cálculo do Banco Central.
Por isso, o indicador funciona como referência antecipada, não como substituto do número oficial. O IBGE publica o PIB com metodologia mais abrangente e com maior defasagem temporal.
O contexto inflacionário segue pressionando as decisões de política monetária. O IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,72% em maio, acima da meta de 3%, mantendo a Selic em patamar que freia a atividade — e que o BC defende como caminho inevitável para reequilibrar os preços.
O IBC-Br, portanto, não é apenas termômetro da conjuntura: é também insumo direto para o Copom decidir se acelera, mantém ou reduz os juros nas próximas reuniões.
