O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta terça-feira (11) que ainda há espaço para um novo corte da Selic em 2026, mesmo com riscos como eleições, a guerra no Oriente Médio e o El Niño pressionando a inflação.
Segundo ele, os economistas do banco trabalham com uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom de setembro, mas o executivo aposta em novos cortes logo depois.
Sinais de desaceleração abrem espaço para cortes
“Já vemos sinais de desaceleração da economia brasileira. Nossos economistas trabalham com uma redução de 0,25 p.p., mas eu acredito que podemos ver novos cortes”, disse Noronha.
O executivo reconhece, porém, que o cenário segue incerto. Ele citou os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e os impactos do El Niño sobre a produção agrícola como riscos capazes de pressionar a inflação e travar o ciclo de queda dos juros. A preocupação com o conflito não é nova: em abril, o próprio Banco Central já havia admitido que a guerra no Irã poderia encolher o espaço para novos cortes na Selic, o mesmo risco que agora orienta a leitura do Bradesco.
O que diz a ata do Copom
Nesta terça, o Banco Central publicou a ata da reunião em que o Copom reduziu a Selic em 0,25 p.p., para 14% ao ano. O documento alerta que uma alta mais forte do petróleo e eventos climáticos podem exigir uma “reação firme” da política monetária, além de citar preocupação com o possível impacto inflacionário das medidas de estímulo do governo federal à demanda.
Dívida das famílias e eleições no radar
Noronha também citou o endividamento das famílias e o comprometimento da renda como pontos de atenção. Segundo ele, o Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo federal, tem produzido efeitos positivos, mas “tudo tem seu limite” diante do desafio de garantir crescimento sustentável.
Sobre o histórico eleitoral, o executivo avalia que a volatilidade cambial tende a ficar concentrada no curto prazo. O ciclo de afrouxamento vem sendo conduzido com cautela desde abril, quando o Copom já cortava a Selic para 14,5% ao ano sob o mesmo pano de fundo geopolítico que baliza as expectativas atuais do Bradesco.
Para Noronha, o equilíbrio das contas públicas é o que permitirá juros mais baixos por mais tempo. Ele defendeu que os candidatos à Presidência sejam mais transparentes sobre seus planos fiscais e disse acreditar que o Congresso apoiará medidas responsáveis, independentemente de quem vencer a eleição.