O Banco Central atualizou nesta terça-feira (11) o balanço dos chamados "valores esquecidos" e informou que ainda há R$ 5,12 bilhões parados em bancos, consórcios e outras instituições financeiras à espera de resgate.
Segundo o BC, 22,66 milhões de pessoas físicas, falecidas ou empresas têm direito a reaver o dinheiro, que pode ser consultado e solicitado exclusivamente pelo site oficial da autoridade monetária.
Trajetória do saldo esquecido
Em março, o Banco Central registrava R$ 10,6 bilhões em valores esquecidos por clientes nas instituições financeiras. O montante começou a cair rapidamente a partir de maio, quando o governo anunciou o uso de parte do dinheiro para bancar o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas com descontos de até 90% lançado em maio pelo governo federal.
Ainda em maio, o BC informava saldo de R$ 6,2 bilhões, mas o valor disponível já havia recuado para cerca de R$ 4,9 bilhões após o repasse de R$ 5,7 bilhões ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), criado para cobrir eventuais calotes de quem contratar crédito pelo programa.
Recursos fora do orçamento chamam atenção do TCU
O uso do dinheiro esquecido para garantir o Desenrola 2.0 passou a ser apurado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) desde junho. Técnicos do tribunal investigam se a operação configura uma forma de bancar programas federais por fora do orçamento público, driblando o limite de crescimento de gastos de 2,5% ao ano acima da inflação.
Como consultar e sacar o dinheiro
A consulta e o pedido de devolução devem ser feitos exclusivamente pelo site oficial do Banco Central, o valoresareceber.bcb.gov.br. Pessoas físicas, empresas e até herdeiros de clientes falecidos podem verificar se têm valores a receber.
Para liberar o saque pelo próprio sistema, é preciso informar uma chave PIX cadastrada em nome do beneficiário. Quem não tem chave deve procurar diretamente a instituição financeira responsável pelo valor para combinar a forma de recebimento, ou cadastrar uma chave e refazer a solicitação depois.
Já no caso de valores deixados por pessoas falecidas, só podem consultar e solicitar o resgate herdeiros, testamenteiros, inventariantes ou representantes legais, mediante o preenchimento de um termo de responsabilidade.
Enquanto isso, o impasse em torno do uso desses recursos fora do orçamento ganha relevância porque o governo já bloqueou R$ 23,7 bilhões em despesas dos ministérios neste ano para cumprir o limite fiscal — cortes que atingem fiscalização, investimentos em tecnologia e serviços públicos, incluindo agências reguladoras.