Durante evento de divulgação dos novos dados de desmatamento, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, defendeu a independência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e relembrou tentativas de desacreditar a instituição.
Ele afirmou que o INPE sempre divulgou dados reais, positivos ou negativos, e citou a crise de 2019, quando o governo de Jair Bolsonaro questionou a metodologia do instituto e chamou os números de desmatamento de fabricados.
Crise de 2019 questionou credibilidade do instituto
A crise citada por Capobianco começou em maio de 2019, quando dados do sistema Deter apontaram aumento nos alertas de desmatamento na Amazônia. Em julho daquele ano, Bolsonaro declarou publicamente que não acreditava nos números e insinuou que o então diretor do INPE, Ricardo Galvão, estaria “a serviço de alguma ONG”.
Galvão rebateu as acusações e defendeu publicamente a metodologia científica utilizada pelo instituto. Na época, o governo também questionou os sistemas de monitoramento e chegou a anunciar a intenção de contratar uma empresa privada para produzir dados sobre o desmatamento. Em agosto de 2019, o diretor foi exonerado do cargo.
Prodes confirmou aumento do desmatamento
Meses depois, o Prodes, principal sistema usado para calcular a taxa anual de desmatamento na Amazônia, apontou 9.762 quilômetros quadrados de floresta derrubada entre agosto de 2018 e julho de 2019 — a maior taxa registrada desde 2008. Para Capobianco, o episódio reforça a importância de preservar a autonomia técnica do INPE, já que o dado correto orienta onde o governo está errando.
Dados recentes reforçam discurso do ministro
O evento em que Capobianco fez os comentários também serviu para apresentar os números mais recentes de desmatamento monitorados pelo INPE. Os dados fazem parte de um cenário já detalhado anteriormente: no primeiro semestre de 2026, a Amazônia atingiu o menor nível de alertas de desmatamento em uma década, resultado que o ministro usou para reforçar a defesa da integridade do instituto.
No mesmo evento, realizado em São José dos Campos, o presidente Lula anunciou a intenção de levar os gráficos de queda do desmatamento diretamente a Donald Trump — os mesmos dados que Capobianco citou como prova da seriedade científica do INPE diante das tentativas passadas de desacreditar a instituição.