Consulados brasileiros nos Estados Unidos, na Alemanha e no México deixaram de imprimir passaportes localmente. Desde 2025, os pedidos seguem para um projeto-piloto do Itamaraty que centraliza a confecção do documento na Casa da Moeda, no Brasil.
A medida, ampliada em julho a 11 postos nos EUA e a unidades na Europa, pode alongar o prazo de entrega do passaporte a brasileiros no exterior, hoje impresso no Brasil e enviado de volta ao consulado de origem.
Por que o Itamaraty mudou o processo
O projeto-piloto começou em abril, nos consulados de Boston e Nova York, e foi ampliado em julho para os 11 postos consulares brasileiros nos Estados Unidos, além das embaixadas em Acra e Doha e dos consulados-gerais em Frankfurt, Lisboa, Porto e Cidade do México. Nos demais postos ao redor do mundo, a impressão continua sendo feita localmente.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a centralização não tem relação com as restrições orçamentárias da pasta neste ano — situação que o ministério classifica como “superada”. A explicação oficial aponta para um salto na procura por passaportes: a emissão no exterior passou de 195,6 mil em 2024 para 274,4 mil em 2025, alta de 40%. Só no primeiro semestre de 2026 foram 188,9 mil pedidos, 26% a mais que no mesmo período do ano anterior, com pico de mais de 33 mil solicitações em julho.
Consulados avisam sobre prazos maiores
O Consulado do Brasil em Miami informou, em comunicado, que desde o fim de julho os passaportes passaram a ser emitidos diretamente pela Casa da Moeda. O MRE não detalhou qual o novo prazo médio de entrega nos postos que já adotam o modelo centralizado — no Brasil, a Polícia Federal costuma entregar o documento em até seis dias úteis.
O crescimento da demanda por passaportes acompanha a expansão da própria comunidade brasileira fora do país: o eleitorado brasileiro no exterior cresceu 32% entre 2022 e 2026, chegando a 918,9 mil pessoas, retrato de uma diáspora cada vez maior. Para o Itamaraty, a centralização busca padronizar os documentos emitidos fora do país com os entregues no Brasil, reforçar a segurança contra fraudes e “alinha-se às melhores práticas internacionais de gestão de documentos de viagem”.