O Pentágono anunciou nesta sexta-feira (1º) acordos com sete empresas de inteligência artificial para acelerar a adoção da tecnologia nas Forças Armadas dos Estados Unidos.
SpaceX, OpenAI, Google, NVIDIA, Reflection, Microsoft e Amazon Web Services são as signatárias do contrato com o Departamento de Defesa americano.
O objetivo declarado é transformar o Exército em uma força orientada por IA, com maior capacidade de tomar decisões com rapidez e eficiência em cenários de conflito.
Em comunicado oficial, o Pentágono descreveu os acordos como um passo estratégico para modernizar as operações militares por meio da tecnologia. A iniciativa reuniu num mesmo contrato empresas que dominam infraestrutura de nuvem, modelos de linguagem e hardware especializado em IA.
A presença da Amazon Web Services é especialmente simbólica: a AWS se tornou uma das principais parceiras operacionais da OpenAI após a reformulação do acordo entre a empresa de Sam Altman e a Microsoft — movimento que abriu caminho para a companhia diversificar sua base de infraestrutura. Agora, as duas empresas figuram juntas como contratadas do Departamento de Defesa. Leia mais: OpenAI ganha liberdade para usar outras nuvens em reestruturação com Microsoft.
A OpenAI chega a esse contrato em um momento de alta valorização no mercado privado. Em abril, a empresa captou US$ 122 bilhões em rodada que incluiu Amazon, Microsoft e Nvidia entre os investidores, atingindo avaliação de US$ 852 bilhões. As três companhias que apoiaram essa rodada agora também assinam, ao lado da OpenAI, o acordo com o Pentágono. Confira: OpenAI capta US$ 122 bilhões e é avaliada em US$ 852 bilhões.
IA militar como vetor geopolítico
A concentração de contratos com empresas exclusivamente americanas reforça a dimensão estratégica da iniciativa: o Pentágono consolida um ecossistema doméstico de IA aplicada à defesa, blindando tecnologias sensíveis de parcerias estrangeiras.
A escolha de empresas com diferentes especializações — da computação em nuvem (AWS, Google, Microsoft) ao hardware (NVIDIA) e modelos de linguagem (OpenAI) — sugere uma abordagem integrada, não apenas pontual. O contrato com a SpaceX, por sua vez, indica que a estratégia de IA das Forças Armadas deve se estender a operações espaciais e de comunicação.
A Reflection é a menos conhecida do grupo. Sua inclusão ao lado de gigantes como Google e Microsoft sinaliza que o Pentágono pode estar diversificando fornecedores para evitar dependência excessiva de um único player — prática comum em contratos governamentais de alto risco.
A reportagem está em atualização. Detalhes sobre valores, prazo e escopo dos contratos ainda não foram divulgados pelo Departamento de Defesa.
