O governo do Paraguai declarou nesta sexta-feira (31) que não pretende aprofundar a crise diplomática com o Brasil, um dia depois de convocar o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes.
Em coletiva de imprensa na chancelaria paraguaia, o vice-presidente Pedro Alliana e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano disseram ter recebido explicações do embaixador sobre as falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito da Guerra da Tríplice Aliança.
Segundo Lezcano, o embaixador afirmou que Lula considerou a fala ‘retirada de contexto’ e negou intenção de ofender o povo paraguaio.
O que disse o chanceler paraguaio
Segundo Ramírez Lezcano, o embaixador Marcondes relatou pessoalmente as explicações do governo brasileiro durante a reunião realizada na sede da chancelaria, em Assunção. O ministro reforçou que, diante do esclarecimento de que não houve intenção de atingir o povo paraguaio, o assunto pode ser considerado encaminhado, sem necessidade de escalada na tensão bilateral.
O encontro entre as autoridades paraguaias e o diplomata brasileiro ocorreu um dia depois de o Paraguai convocar formalmente o embaixador José Antonio Marcondes para prestar esclarecimentos na chancelaria — o passo que antecedeu o desfecho desta sexta-feira.
Durante a reunião, as autoridades paraguaias afirmaram ter entregado formalmente ao governo brasileiro uma nota de repúdio aprovada pelo Congresso do país. O texto é o mesmo que a Câmara dos Deputados paraguaia já havia aprovado na quarta-feira, acusando Lula de distorcer a dimensão histórica do conflito.
A crise teve origem em 24 de julho, quando Lula citou a invasão paraguaia do século 19 durante um discurso em Jacareí para defender mais investimentos nas Forças Armadas. O conflito, também conhecido como Guerra do Paraguai, dizimou cerca de 70% da população paraguaia no século 19.
Até a última atualização desta reportagem, o governo brasileiro e o Itamaraty não haviam se manifestado publicamente sobre o encontro em Assunção. O episódio é o segundo atrito diplomático da região em sequência, em meio a relações já sensíveis dentro do Mercosul.
