Política

Embaixador brasileiro diz que Lula não quis ofender Paraguai com fala sobre guerra

Chanceler paraguaio convocou José Marcondes após repúdio a declaração do presidente sobre conflito histórico
Lula em retrato oficial com bandeira do Paraguai ao fundo, ilustrando crise por fala sobre guerra do Paraguai

O embaixador brasileiro em Assunção, José Marcondes, afirmou nesta sexta-feira (31) ao governo paraguaio que Lula não teve intenção de faltar com respeito ao citar a Guerra do Paraguai.

Segundo ele, a declaração do presidente foi retirada de contexto. O chanceler Ramirez Lezcano convocou o diplomata para dar explicações, em reunião que também contou com o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana.

Carta de repúdio entregue ao embaixador

Durante o encontro, o governo paraguaio entregou uma carta a Marcondes manifestando repúdio às declarações de Lula e reforçando que Brasil e Paraguai são “países irmãos”. Segundo o Itamaraty, o embaixador ressaltou os laços históricos de amizade entre os dois países e as iniciativas de cooperação lideradas por Lula na relação bilateral.

“O embaixador ressaltou os históricos laços de amizade e de cooperação do Brasil com o Paraguai, além de lembrar as inúmeras manifestações de apreço e iniciativas de cooperação lideradas pelo presidente Lula na relação com o Paraguai, e a prioridade que sempre conferiu aos laços bilaterais”, informou o Itamaraty em comunicado.

Em nota própria, o governo paraguaio afirmou que o vice-presidente Pedro Alliana e o chanceler Ramirez Lezcano propuseram ao diplomata brasileiro um caminho para “fechar definitivamente as feridas” deixadas pela guerra, citando como exemplo a devolução de canhões paraguaios ao país.

O encontro desta sexta-feira foi convocado na véspera, quando Ramirez Lezcano chamou formalmente o embaixador Marcondes para entregar uma nota de protesto sobre as declarações de Lula.

Pressão já vinha da Câmara paraguaia

A crise diplomática já se desenhava desde quarta-feira (29), quando a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou uma declaração formal de repúdio, acusando Lula de distorcer a dimensão histórica do conflito.

O governo paraguaio reforçou, em comunicado, que os episódios da Guerra do Paraguai marcaram profundamente a história das duas nações e devem ser tratados “com responsabilidade, respeito recíproco e espírito de reconciliação”.

O caso ocorre em meio à parceria estratégica entre os dois países no Mercosul, o que amplia a repercussão do episódio e pressiona o Itamaraty a evitar novo desgaste na relação bilateral nas próximas semanas.