O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (28) um pedido da Polícia Federal para que autoridades estrangeiras rastreiem bens do Banco Master no exterior, ligados a fraudes do conglomerado de Daniel Vorcaro.
A determinação, revelada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pela TV Globo, autoriza o mapeamento de ativos que possam ter sido usados para desviar recursos do banco, então comandado por Vorcaro.
A cooperação foi autorizada por meio do tratado de Assistência Legal Mútua (Mutual Legal Assistance Treaty, ou MLAT), que permite a troca de informações entre países para investigações e processos criminais. Após o aval do STF, cabe ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, do Ministério da Justiça, conduzir as tratativas com as autoridades estrangeiras.
Origem no esquema de CDBs
O pedido está ligado à Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro de 2025 para apurar a emissão irregular de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pelo Banco Master, então comandado por Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, a instituição oferecia juros até 40% acima da média do mercado, o que levantou suspeitas de que parte dos títulos não tinha lastro em ativos reais.
Desde a deflagração da operação, o Master foi liquidado pelo Banco Central, Vorcaro foi preso e outros empresários e políticos ligados a ele passaram a ser investigados por suposto envolvimento no esquema.
A busca por bens no exterior amplia uma frente já aberta pela PF, que semanas antes havia acionado a Interpol para rastrear imóveis, contas e empresas de Vorcaro na América do Norte e na Europa.
A ampliação da cooperação internacional ocorre em um momento decisivo da investigação: a PF pretende concluir, ainda em agosto, o inquérito sobre as fraudes bancárias que levaram à quebra do Master. O mapeamento de ativos no exterior deve subsidiar eventuais pedidos de bloqueio e repatriação de recursos, caso se confirme que parte do dinheiro desviado do banco foi transferida para fora do país.
O caso segue sendo tratado como um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, com desdobramentos que incluem apurações sobre a real cobertura patrimonial dos CDBs vendidos pelo Master e o alcance da rede de empresários e políticos apontados como beneficiários do esquema.
