O presidente da Argentina, Javier Milei, recebeu neste sábado (25) a Ordem do Ipiranga, maior honraria concedida pelo governo de São Paulo, horas antes de participar da convenção do PL que oficializa a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
A cerimônia ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul da capital paulista, com Milei chegando por volta das 9h45 ao lado da irmã, Karina Milei, e recebido por um tapete azul pelo governador Tarcísio de Freitas.
Honraria e apoio político em uma só agenda
A Ordem do Ipiranga é a mais alta honraria concedida pelo governo paulista a brasileiros e estrangeiros que prestam serviços de excepcional relevância ao estado. Em 2024, a mesma condecoração já havia sido entregue a Karina Milei, secretária-geral da Presidência argentina, que voltou a acompanhar o irmão neste sábado.
Além de Tarcísio e da primeira-dama Cristiane Freitas, participaram da recepção o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o próprio Flávio Bolsonaro, o secretário da Segurança Pública Guilherme Derrite e o presidente da Alesp, André do Prado, que chegaram ao Palácio ainda no início da manhã. Depois da cerimônia, a comitiva seguiu para o Mercado Livre Arena Pacaembu, na Zona Oeste, onde acontece a convenção nacional do PL — Milei deve chegar apenas próximo ao encerramento do evento.
Esta é a terceira viagem de Milei ao Brasil desde que assumiu a Presidência da Argentina, em dezembro de 2023, e não há previsão de encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a passagem por São Paulo. Ainda assim, o Planalto já avisou que não pediu encontro com Milei, mas promete rebater qualquer declaração do argentino sobre temas internos do Brasil.
Símbolo da direita radical em meio à queda nas pesquisas
O apoio de Milei a Flávio Bolsonaro chega em um momento delicado para a candidatura: às vésperas da convenção, o senador aparecia com oito pontos de desvantagem para Lula num eventual segundo turno, reflexo do desgaste causado por escândalos recentes.
Para especialistas, a presença do argentino no evento tem menos peso eleitoral direto e mais valor simbólico. É o que avalia a professora Regiane Bressan, da Unifesp, para quem a presença de Milei funciona menos como cabo eleitoral e mais como símbolo do radicalismo econômico que consolida o núcleo duro da direita. O tapete azul estendido no Palácio dos Bandeirantes reforçou essa leitura, remetendo à chamada “onda azul” associada ao campo bolsonarista.