A Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) inaugurou, na última sexta-feira (17), o Centro de Referência em Restauração Ecológica (CERRE), em Silva Jardim (RJ). O espaço marca um novo momento na restauração da Mata Atlântica, bioma que ainda enfrenta desmatamento e fragmentação florestal.
Vizinho ao Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado, o CERRE vai acompanhar a recuperação da Fazenda Perdida, propriedade de 130 hectares adquirida pela AMLD e já transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
A AMLD já soma mais de 450 hectares de vegetação nativa recuperados nas últimas décadas, sobretudo no entorno do habitat do mico-leão-dourado, espécie símbolo da Mata Atlântica fluminense. O CERRE nasce de uma aliança entre a organização, universidades como UFRRJ, UENF e PUC-Rio, o PELD Rede (Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração), viveiristas e apoiadores do programa de conservação do primata.
Décadas de pesquisa viram referência nacional
“O CERRE é um marco, é um centro de referência que reúne um histórico de pesquisa muito antigo – de 30 e 40 anos – da botânica, geologia, ecologia”, afirma Jerônimo Sansevero, professor da UFRRJ e coordenador do PELD Rede. Segundo ele, o centro vai permitir estudos de longo prazo sobre restauração, consolidando um legado construído coletivamente pelas universidades parceiras.
Para Carlos Alvarenga, coordenador de Restauração da AMLD, a missão do centro é amplificar experiências eficientes: oficinas, workshops, simpósios e cursos vão incentivar boas práticas de solo e sistemas agroflorestais (SAFs), mostrando que a restauração pode gerar renda e fortalecer a cadeia produtiva da região.
Unidade demonstrativa de manejo de pastagem
Durante o mesmo evento, a AMLD inaugurou também uma Unidade Demonstrativa de Manejo de Pastagem no Sítio Aldeia Velha, propriedade parceira da organização. No local serão testadas técnicas que aumentam a produção pecuária ao mesmo tempo em que protegem e recuperam os recursos naturais da região.
A iniciativa reforça um movimento mais amplo de conciliar produção rural e conservação da Mata Atlântica — um bioma que segue pressionado até mesmo em áreas urbanas. Em São Paulo, por exemplo, uma obra pública na Praça Kaol Sugimoto ameaçou remover até 100 árvores nativas no bairro do Butantã, levando a prefeitura a reavaliar o projeto de R$ 69 milhões.
