Meio ambiente

Programa de conservação do mico-leão-preto recebe verba internacional para ampliar ações no Pontal do Paranapanema

Aporte de mais de R$ 270 mil do Fundo de Reintrodução de Espécies fortalece monitoramento, translocação e manejo do primata ameaçado no extremo oeste paulista

O Programa de Conservação do Mico-leão-preto, no Pontal do Paranapanema, recebeu verba internacional de mais de R$ 270 mil para ampliar ações de preservação. O recurso, proveniente do Fundo de Reintrodução de Espécies da Colossal Foundation e Re:wild, permitirá expandir monitoramento, translocação e manejo da espécie ameaçada na região oeste de São Paulo.

O aporte fortalece parcerias e garante a continuidade de estratégias para evitar a extinção do mico-leão-preto, primata endêmico da Mata Atlântica.

Importância da preservação e ações do programa

O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) é um primata endêmico da Mata Atlântica e figura na lista de espécies ameaçadas de extinção. Sua preservação é fundamental para o equilíbrio ecológico regional. O programa atua no monitoramento das populações, reflorestamento de áreas degradadas e promoção de educação ambiental junto às comunidades locais, visando garantir a sobrevivência da espécie.

Verba internacional e apoio técnico

O aporte de US$ 50 mil, equivalente a mais de R$ 270 mil, foi concedido pelo Fundo de Reintrodução de Espécies, administrado pela Colossal Foundation em parceria com a Re:wild, ambas dos Estados Unidos. O fundo apoia projetos de reintrodução e translocação de espécies ameaçadas, beneficiando também o hábitat e as comunidades locais. Os projetos contemplados recebem apoio financeiro e colaboração técnica por até 12 meses, com subsídios anuais de até US$ 50 mil.

O programa, liderado há mais de 10 anos pela bióloga Gabriela Cabral Rezende, já realizou sete translocações. Segundo Gabriela, a translocação é uma ferramenta estratégica para populações em risco devido ao tamanho reduzido e ao baixo fluxo gênico. Ela destaca: “Sempre tivemos clareza de que o manejo das populações ameaçadas de mico-leão-preto, por meio da translocação e da reintrodução, é uma estratégia fundamental não apenas para salvar a espécie, mas também para restaurar a diversidade funcional de seu hábitat nativo — a Mata Atlântica brasileira.”

Novas etapas e histórico das translocações

Com o novo recurso, o programa poderá expandir as translocações para fragmentos que necessitam de suplementação ou reintrodução da espécie. Em fevereiro de 2026, está prevista uma oficina do Grupo de Acompanhamento do Programa de Manejo Populacional dos Micos para atualizar estratégias com base em dados genéticos e populacionais mais recentes.

Gabriela Cabral Rezende detalha a necessidade de avaliar a situação de populações, como as da Estação Ecológica Caetetus e de fragmentos da Estação Ecológica Mico-leão-preto, além de identificar novas populações-fonte para futuros manejos, reduzindo a dependência do Parque Estadual do Morro do Diabo.

A primeira translocação ocorreu em 1995 e, até 2008, 22 micos-leões-pretos foram movimentados para a Fazenda Mosquito, em Narandiba (SP), estabelecendo uma nova população. Em agosto, foi aprovada proposta para um estudo de 30 anos após essa primeira translocação, com censo previsto para 2026.

Translocações recentes e resultados

Em janeiro de 2024, um grupo do Parque Estadual do Morro do Diabo foi levado ao fragmento da Fazenda San Maria, em Presidente Epitácio (SP), devido ao risco de extinção local. Em janeiro de 2025, outra translocação ocorreu, mas a perda da fêmea-alfa desencadeou mudanças sociais. Monitoramento contínuo revelou a formação de novos grupos, indicador de sucesso do manejo. A expectativa é de filhotes na próxima temporada reprodutiva.

Gestão e planejamento

O Programa de Manejo Populacional do Mico-leão-preto, elaborado em março de 2023 e publicado em 2024, segue diretrizes do ICMBio e integra o Plano de Ação Nacional para Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e da Preguiça-de-coleira. A estratégia será revisada em 2026, visando fortalecer a conservação integrada da espécie no Brasil.

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