O governo federal fecha nos próximos dias um pacote de medidas para reduzir os efeitos do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e da alta dos insumos de fertilizantes, agravada pela guerra no Oriente Médio.
A tarifa de 25% sobre mais de 2 mil produtos exportados aos EUA passa a valer nesta quarta-feira (22), véspera de uma possível sobretaxa adicional de 12,5% contra o Brasil e outros 59 países.
Nesta terça (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros da Fazenda e da Indústria e Comércio se reúnem com representantes das empresas afetadas para ouvir demandas antes de fechar o desenho da ajuda, que será entregue em etapas.
Ajuda em etapas, com contrapartidas
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, as medidas em preparação tratam de reduzir, no Brasil, os efeitos de decisões tomadas fora do país — tanto o tarifaço americano quanto a escalada nos preços de fertilizantes.
Os setores de móveis, calçados e máquinas e equipamentos estão entre os mais atingidos pelas novas tarifas e devem ser prioridade nas conversas desta terça. O objetivo do governo é ajudar essas empresas a encontrar novos mercados e a se manterem operando diante da perda de competitividade nos EUA.
De acordo com integrantes do governo, o apoio será entregue de forma pontual e escalonada, e não por meio de cotas de exportação ou desonerações fiscais. Em troca, as empresas beneficiadas deverão cumprir contrapartidas, como a manutenção de pelo menos parte dos postos de trabalho.
A expectativa é que parte do socorro seja canalizada pelo Plano Brasil Soberano, criado no ano passado e que o governo já sinaliza que será ampliado para dar conta dos setores agora atingidos pela tarifa de 25%.
Crédito para fertilizantes e nova tarifa em jogo
Em paralelo ao socorro aos exportadores, o governo estuda uma linha de crédito para as empresas misturadoras — responsáveis por transformar os insumos importados no produto final usado pelo agronegócio brasileiro, hoje pressionado pela alta dos fertilizantes provocada pela guerra no Oriente Médio.
A ideia de um programa de apoio já vinha sendo construída: dias antes de a tarifa de 25% entrar em vigor, Alckmin já havia adiantado que o governo montaria uma rede de suporte aos setores prejudicados.
A tarifa que motiva agora as medidas de socorro foi confirmada pelos Estados Unidos com base na Seção 301, depois que Washington apontou o sistema PIX e o desmatamento ilegal como barreiras ao comércio bilateral.
Ministros do governo já se preparam ainda para uma tarifa adicional de 12,5%, que pode ser anunciada já nesta quarta-feira e atingir o Brasil e outros 59 países, ampliando a pressão sobre a economia brasileira. Esta reportagem segue em atualização.
